Eu Vou te Encontrar: É a melhor adaptação de Harlan Coben?

Se tem uma coisa que a Netflix sabe fazer muito bem, são as adaptações dos livros de Harlan Coben. É muito raro eu, particularmente, não gostar de alguma produção baseada na obra dele. Talvez por eu ser uma grande fã do gênero, aquele suspense policial clássico, colabore bastante para gostar. Mas, no geral, a estrutura que o streaming dá para as histórias de Coben é sempre muito legal. Ainda assim, Eu Vou te Encontrar consegue superar todas as outras anteriores, sendo ainda mais impactante principalmente pela forma como a sua narrativa foi estruturada. Vem comigo saber tudo da série!
Conheça a história
Eu Vou te Encontrar acompanha David Burroughs, um pai que está cumprindo prisão perpétua pelo assassinato brutal de seu próprio filho de apenas cinco anos. No entanto, cinco anos após a tragédia, a ex-cunhada de David aparece com uma foto recente onde, ao fundo, aparece um garoto com uma marca de nascença idêntica à de seu filho. Munido da certeza de que o menino está vivo, David planeja uma fuga de uma penitenciária de segurança máxima para iniciar uma corrida contra o tempo, provar sua inocência e salvar o filho.
O segredo do sucesso
Antes de falar sobre a série em si, preciso comentar da produção, que conta com um elenco de peso, trazendo nomes como Sam Worthington (Avatar), Britt Lower (Ruptura) e Milo Ventimiglia (This is Us). Mas o grande trunfo da série está nos bastidores: o próprio Harlan Coben atua diretamente como produtor executivo. Talvez pelo fato do criador da história estar no comando da produção, a minissérie tenha sido tão bem executada.
Agora falando da história, tenho que começar dizendo que a série é extremamente dinâmica. As coisas acontecem muito rápido e há muita informação surgindo na tela ao mesmo tempo. Mesmo assim, o roteiro não se perde e nos mantém firmes na linha central da investigação: o que aconteceu com a criança? Você começa a suspeitar de absolutamente todo mundo, as únicas pessoas que saem do radar são o pai e a mãe.

O enredo te prende de um jeito que, conforme os episódios passam e você vai eliminando os suspeitos, montar o quebra-cabeça fica ainda mais difícil. Quando sobram apenas algumas pessoas, você pensa: “Cara, não é possível que fulano fez isso”. Por isso, quando a revelação chega, o soco no estômago é real. Me senti completamente enganada, e isso é o melhor elogio que um suspense pode receber!
Sem dúvidas, o elenco entrega atuações 10 de 10. O entrosamento entre os atores, especialmente a química entre David e Rachel, deixa a história ainda mais cativante. Confesso que, no início, tive um leve problema com a mudança do ator da criança, mas é algo que logo passa e não atrapalha a experiência.
Além disso, os ganchos no final de cada capítulo são maravilhosos. Você termina um e já sai desesperado pelo próximo. Foi por isso que devorei a série em um único dia.
Um desfecho apressado
Se eu tiver que apontar algo negativo, com certeza é o último episódio. O ritmo episódio final muito corrido, assim que descobrimos quem está por trás de toda a conspiração, as resoluções acontecem voando não da tempo nem de apreciar o momento.
Fiquei na expectativa de um desenvolvimento um pouco maior para o desfecho, mas tudo se resolveu num piscar de olhos e a série já saltou para “8 meses depois”. Dá uma sensação chatinha de “esperei a série toda para ver tudo se resolver em cinco minutos?”. Aliás, houve episódios no meio da temporada que deram uma leve enrolada, então o episódio final merecia ter tido mais tempo para aproveitar o momento e solucionar toda a confusão sem pressa.
Vale a pena assistir Eu Vou te Encontrar?
Apesar do final corrido ter balançado um pouco a minha expectativa, o desfecho não é decepcionante, ele apenas peca no andamento. Eu Vou te Encontrar continua sendo uma das séries mais bem desenvolvidas e completas da Netflix em termos de adaptação. Tem um enredo atraente, ótimo desenvolvimento, elenco impecável e uma reviravolta de respeito. Recomendo muito, não só para quem já é fã do Harlan Coben, mas para qualquer um que ame um bom suspense policial com mistério de assassinato. É uma minissérie curta, de 8 episódios com cerca de 40 minutos cada, e o andamento é tão fluido que você nem sente o tempo passar. Mais uma vez, a Netflix prova que a única linha de adaptações que ela consegue fazer dar certo de verdade é a do universo de Coben.
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