Resenha: Liga pra mim, não liga pra ele, de Bailey Hannah

Depois de ter curtido o primeiro livro da série Wells Canyon, comecei a ler Liga pra mim, não liga pra ele já imaginando o que encontraria. Afinal, eu já sabia que Bailey Hannah consegue criar personagens interessantes, mas não estava esperando grandes surpresas neste segundo livro. Principalmente porque o plot de gravidez nunca foi um dos meus favoritos nos romances. Ainda assim, bastaram alguns capítulos para que a história começasse a me conquistar mais do que eu imaginava.
Qual a história de Liga pra mim, não liga pra ele?
Em Liga pra mim, não liga pra ele, acompanhamos Cassidy e Chase, também conhecido como Red. Depois de uma situação que deveria ser apenas uma forma de vingança contra o ex-namorado dela, os dois acabam diante de uma consequência inesperada: uma gravidez. A partir daí, Cassidy e Chase precisam descobrir como lidar com a possibilidade de se tornarem pais enquanto tentam entender o que realmente sentem um pelo outro.
Mas a história não fica apenas na gravidez. Os dois carregam marcas importantes da infância e precisam enfrentar o medo de repetir os erros de seus próprios pais. Enquanto Chase cresceu convivendo com um pai alcoólatra e agressivo, Cassidy carrega o abandono da mãe. Agora, diante da possibilidade de formar uma família, os dois começam a se perguntar se serão capazes de construir algo diferente daquilo que conheceram durante a infância.
Uma gravidez que movimenta a história
Eu gostei bastante da maneira como a autora desenvolveu a gravidez ao longo da narrativa. Mesmo sendo o grande plot do livro, ela não fica simplesmente como uma informação que existe para colocar os protagonistas juntos. Acompanhamos as mudanças, as inseguranças e as consequências que essa nova realidade provoca, principalmente para Cassidy.
A personagem já possui uma relação complicada com o próprio corpo por não se encaixar naquele padrão de beleza que normalmente encontramos nos romances. Ela se aceita, mas isso não significa que não tenha inseguranças. Com a gravidez, essa relação fica ainda mais complicada, porque ela passa a questionar a própria aparência, a sensualidade e até mesmo se continua sendo desejada. E acho que é justamente aí que Chase ganha muitos pontos.
Red é aquele tipo de protagonista que poderia facilmente cair no estereótipo do mocinho bonito, cheio de atitude e que serve apenas para movimentar o romance. Só que ele acabou sendo muito mais carismático do que eu esperava. Inclusive, tive a sensação de que ele era até mais romântico do que a própria Cassidy.
Dois personagens tentando não repetir o passado
Porém, o que mais gostei foi a forma como os dois se tornam parceiros. Mesmo tendo histórias diferentes, Cassidy e Chase possuem feridas muito parecidas e, quando percebem que podem estar prestes a repetir os erros de seus pais, passam a encontrar um no outro uma espécie de segurança.
É bonito acompanhar os dois tentando mostrar um ao outro que eles não precisam ser iguais aos seus pais. Chase não precisa se tornar o homem que o pai dele foi, assim como Cassidy não precisa repetir o abandono que sofreu. E essa conexão faz com que eles se aproximem de uma maneira que, para mim, funcionou muito bem.
Claro que existe aquela velha falta de comunicação que parece ser obrigatória em praticamente todo romance, mas, mesmo assim, gostei de acompanhar os dois tentando entender o que significava estar juntos. Principalmente porque eles não são apenas um casal que está tentando descobrir como criar um bebê. Existe uma relação entre eles que funciona independentemente da gravidez, e isso foi uma das coisas que mais me fez continuar a leitura.
Chase permanece ao lado dela mesmo quando as coisas ficam complicadas, principalmente com os julgamentos do próprio pai dela. Ele não fica esperando que Cassidy resolva tudo sozinha. Existe uma parceria de verdade, e acho que esse foi um dos pontos altos do livro.

Um romance que vai além dos clichês
Também gostei de como a autora consegue trazer assuntos mais delicados para dentro da história. No primeiro livro, tivemos uma abordagem muito mais ligada à violência doméstica. Aqui, ainda encontramos questões relacionadas a abuso e relações familiares complicadas, mas o foco está muito mais nos reflexos que essas experiências deixam nos filhos e na maneira como eles passam a enxergar a própria vida.
Ao mesmo tempo, Liga pra mim, não liga pra ele continua sendo, acima de tudo, um romance adulto. O livro tem bastante conteúdo hot, com cenas de sexo bastante explícitas e presentes até o final. Em alguns momentos, inclusive, achei que houve um certo exagero e que algumas dessas cenas poderiam ter sido retiradas sem fazer falta para a história.
Porém, o livro consegue entregar uma história que vai além das cenas hots e da gravidez. Não é uma trama extremamente profunda, nem pretende fazer grandes reflexões sobre os temas que apresenta, mas consegue dar aos protagonistas conflitos suficientes para que eles não pareçam que eles foram criados para protagonizar um romance. E talvez seja por isso que minha experiência tenha sido melhor do que eu esperava.
Vale a leitura?
Não é um livro 10 de 10. Não é uma história que considero inesquecível ou que vai ficar marcada para o resto da vida. Eu realmente acho que poderia ter sido melhor trabalhado em alguns aspectos. Mas também sei que poderia ter sido muito pior. No fim, Liga pra mim, não liga pra ele é aquele tipo de livro gostosinho para ler sem grandes expectativas. A história é relativamente rápida, os personagens são carismáticos e existe uma química que faz com que seja fácil continuar acompanhando o relacionamento dos dois.
Sendo assim, acho que ele funciona bem para quem está procurando um romance adulto para passar o tempo ou para quem precisa sair de uma ressaca literária. É uma leitura leve, mesmo trazendo alguns assuntos mais delicados, que não exige que você entre na história esperando grandes reviravoltas. Até porque o grande plot é a gravidez e isso que movimenta a história do começo ao fim.
Ainda assim, foi uma leitura agradável que comecei achando que encontraria uma história bobinha e personagens que talvez não conseguissem me conquistar. Terminei gostando mais do que esperava. Não é perfeito, mas entrega exatamente aquela leitura confortável que você procura quando quer um romance para desligar a cabeça por algumas horas.




