Resenha: A loja de feitiços, de Sarah Beth Durst

A loja de feitiços é aquele livro fofinho que você começa a ler despretensiosamente e acaba se apaixonando. Da autora Sarah Beth Durst, o livro é publicado no Brasil pela Intrínseca e entrega tudo o que uma leitura cozy precisa ter: magia, romance, personagens carismáticos e uma atmosfera aconchegante. Vem comigo saber tudo sobre essa fantasia deliciosa.
Conheça a história de A loja de feitiços
Kiela sempre teve dificuldade em lidar com pessoas. Felizmente, como bibliotecária da Grande Biblioteca de Alyssium, ela e seu assistente, Caz — um clorófito falante — passaram os últimos anos isolados entre os livros de feitiços mais preciosos do império, preservando-os para os membros da elite da cidade, os únicos autorizados por lei a utilizar magia. Quando uma revolução começa e a biblioteca é incendiada, Kiela e Caz fogem com todos os livros que conseguem carregar e seguem para um lugar que ela pensou que nunca veria novamente: Caltrey, a ilha onde cresceu.
Ao chegar lá, Kiela conhece um vizinho intrometido e muito bonito que começa a aparecer dia após dia para garantir que ela esteja se alimentando direito e para ajudá-la a consertar sua nova casa. Agora precisando reconstruir a vida do zero, Kiela decide vender algo que nem mesmo a padaria da cidade oferece: geleias. Com a ajuda de um velho livro de receitas herdado dos pais e um pouco de magia ilegal, o jardim de sua casa logo fica repleto de frutas deliciosas.
Uma história doce e aconchegante
A loja de feitiços é aquela história recheada de criaturas míticas, cenários acolhedores, comidinhas que parecem deliciosas e uma pitada perfeita de magia e romance. Sem dúvidas, é um livro feito para aquecer o coração de quem lê. A escrita de Sarah Beth Durst é extremamente fluida, envolvente e delicada. Ela consegue construir um mundo mágico simples, mas cheio de sentimentos e personalidade.
Os personagens também são um grande acerto da história. Tanto Kiela quanto Larran são extremamente carismáticos. Kiela, uma criaturinha azul, é a típica protagonista desligada, tímida e um pouco lenta para perceber algumas coisas, mas dona de um coração enorme. Ela carrega muitas inseguranças e medos, mas ainda assim consegue passar por cima deles não apenas pelo próprio bem, mas também para ajudar as pessoas ao seu redor.
+ Você conhece o subgênero “Cozy Fantasy”?!
Já Larran é aquele personagem mais bruto e misterioso à primeira vista, mas que no fundo é apenas um verdadeiro ursão fofinho. Sem dúvidas, o contraste entre os dois faz com que o romance seja extremamente gostoso de acompanhar. Mas já fica aqui o aviso: é um romance bem lento, construído aos poucos e com bastante calma.
E claro que eu não poderia deixar de falar do Caz. O clorófito falante é simplesmente espetacular. Ele dá vida à história e funciona como o motor emocional da Kiela. Acho que a trama não teria o mesmo charme sem ele. Em alguns momentos, Caz pode acabar sendo um pouco irritante por conta do seu jeito egoísta, mas ainda assim continua sendo um personagem divertido e cheio de personalidade.
Uma leitura calma e confortável
Não dá para negar que história é simples, com muitas cenas tranquilas e acolhedoras. Existem alguns momentos de tensão, mas esse definitivamente não é o foco da narrativa. Afinal, A loja de feitiços é uma fantasia cozy, com uma proposta relaxante, narrativa leve e perfeita para intercalar entre leituras mais pesadas. Eu só não diria que é um livro ideal para sair da ressaca literária, já que as coisas demoram um pouco para acontecer.
A loja de feitiços talvez não funcione para todo mundo. Comigo, a leitura realmente começou a me conquistar depois do capítulo cinco. O final também pode incomodar alguns leitores por não trazer grandes reviravoltas ou cenas impactantes. É uma conclusão simples, delicada e até bobinha, mas isso conversa totalmente com a proposta da história desde o início. E, para mim, funcionou muito bem. Foi uma leitura que me fez sentir abraçada, faltando apenas um rolinho de canela.
No geral é um livro que vale muito, mas que precisa ser lido no momento certo. Não dá para pegar e ler só porque ele está parado na estante ou todo mundo falando, tem que estar pronto para mergulhar nessa história e saber curtir cada momento. Talvez o ideal seja ler aos poucos para conseguir ir sentindo magia escrita por Sarah.




