Camp Rock 3 mostra que nostalgia não é suficiente

Eu já estava com as expectativas baixas para Camp Rock 3, mas confesso que o filme conseguiu se superar, e não de uma maneira positiva. O maior problema da produção não está no novo elenco, mas sim no roteiro que parece não saber exatamente o que quer contar. E, para explicar por que o retorno de Camp Rock acabou sendo tão decepcionante, precisamos falar sobre altos e baixos do filme. Vem comigo saber mais!
Conheça a história de Camp Rock 3
Connect 3 está restes a embarcar em uma grande turnê de reunião, a banda formada por Shane Gray, Nate Gray e Jason Gray, procura um novo campista para ser o show de abertura, quando o artista anterior os abandona de forma inesperada. Em uma competição repleta de tensões, amizades passam a ser testadas, revelações inéditas são feitas e o reencontro com o acampamento leva os integrantes do Connect 3 a reviverem lembranças importantes e a redescobrirem a paixão que os uniu anos atrás.
O problema não é a nova geração
Antes de falar sobre tudo o que me incomodou, precisamos entender a proposta de Camp Rock 3. O filme não funciona exatamente como uma continuação tradicional das histórias anteriores, mas como uma apresentação de uma nova geração de personagens. Em Camp Rock 3 temos uma nova geração de jovens músicos que chegam ao famoso acampamento em busca de novas experiências, amizades e, claro, muita música. Em vez de continuar diretamente a história dos personagens dos primeiros filmes, a produção aposta em novos protagonistas e tenta apresentar uma nova fase para a franquia.
A ideia por si só não é ruim. O problema é que o filme não consegue desenvolver essa nova história de maneira interessante o suficiente para fazer com que o público realmente se importe com esses personagens. Também não acho justo colocar a culpa no novo elenco. Até porque, se voltarmos para o primeiro Camp Rock, nem Joe Jonas nem Demi Lovato eram exatamente grandes exemplos de atuação. Eles foram crescendo ao longo dos filmes, e isso faz parte. O problema está na história.

Personagens sem desenvolvimento deixam a história sem graça
O roteiro é extremamente pobre, com cenas que parecem jogadas na narrativa sem uma conexão entre elas. Os personagens são apresentados, mas poucos realmente possuem uma história que agregue alguma coisa ao enredo. Falta motivação, falta desenvolvimento e, principalmente, falta uma razão para o público se importar com o que está acontecendo.
Inclusive, para mim, Rosie tinha tudo para ser a verdadeira protagonista da história. Não acho que a Sage seja ruim, mas a trajetória dela é tão rasa que fica difícil criar um laço real com a personagem.
Entre os personagens masculinos, os três meninos são bastante sem graça. Talvez o irmão da protagonista, Desi, seja o mais carismático entre eles, Até porque o protagonista, Fletch, e é extremamente apagado. Ele quase não tem fala. E isso se torna um problema ainda maior quando pensamos no romance. A química entre ele e a protagonista praticamente não existe. Até dá para perceber que o filme tenta construir alguma relação entre os dois, mas fica difícil acreditar em um casal quando eles mal trocam meia dúzia de palavras.

Uma vilã é completamente esquecível
E se existe uma personagem que poderia facilmente ter sido retirada do filme sem fazer falta, é a vilã. Ela é fraca, não tem personalidade e, assim como outros personagens, parece não ter falas ou desenvolvimento suficientes para justificar sua presença. Até mesmo o plano de vingança é tão ruim que fica difícil levá-lo a sério.
O pior é que a história tenta criar toda uma confusão envolvendo a personagem, mas nem se dá ao trabalho de mostrar direito as consequências do que ela fez. Parece que o roteiro simplesmente precisava de alguém para ocupar o papel de vilã e colocou essa personagem ali.
Jonas Brothers e Demi Lovato entregam nostalgia
A participação de Jonas Brothers e Demi Lovato era algo que eu já esperava e, nesse sentido, não me decepcionou. São participações rápidas, mas que entregam aquele pequeno quentinho no coração de quem cresceu acompanhando a franquia. Porém, também não dá para negar que eu queria mais. Talvez um dueto? Uma cena um pouco maior? Mais interação com os novos personagens?
Não precisava transformar o filme em uma reunião completa do elenco original, mas, considerando o peso que esses nomes têm para a franquia, dava para aproveitar muito melhor essas participações.

O maior erro de Camp Rock 3
Talvez um dos maiores erros da Disney tenha sido não definir muito bem quem seria o público-alvo de Camp Rock 3. Porque é impossível ignorar que boa parte do público que assistiu ao filme chegou esperando algo muito mais nostálgico. Crescemos assistindo aos dois primeiros filmes e, naturalmente, queríamos mais daquela sensação. E não estou falando apenas de regravações das músicas antigas. O filme poderia ter aproveitado muito mais os atores da franquia original, criado conexões entre as duas gerações e usado a nostalgia de uma maneira realmente significativa.
Por outro lado, existe também uma questão curiosa: será que a nova geração realmente vai se identificar com Camp Rock? Afinal, não estamos mais na mesma época dos filmes musicais da Disney em que os personagens simplesmente começavam a cantar e dançar no meio de uma situação cotidiana. O formato mudou, o público mudou e a maneira de contar histórias para adolescentes também.
O problema de Camp Rock 3 não é simplesmente o fato de não sermos mais o público-alvo. O filme tem problemas de desenvolvimento, de narrativa e até de edição. Existem momentos em que as cenas parecem não conversar entre si, personagens que surgem sem uma função muito clara e acontecimentos que não recebem a atenção necessária.
Camp Rock 3 tinha tudo para ser um grande retorno da franquia. Tinha uma marca conhecida, um público nostálgico e uma nova geração de atores que poderia trazer uma identidade diferente para a história. Mas o roteiro não soube aproveitar nenhum desses elementos.

Vale a pena assistir Camp Rock 3?
Eu sempre gosto de dizer que vale a pena assistir para tirar as próprias conclusões, e não acho que Camp Rock 3 seja completamente ruim. Apesar de todos os problemas, não acho que Camp Rock 3 seja completamente sem qualidades. Algumas das músicas novas são bem legais, principalmente a primeira, que tem uma vibe muito Camp Rock e consegue trazer aquela sensação gostosa dos filmes anteriores.
Talvez seja justamente nesses momentos musicais que o filme consiga lembrar por que a franquia conquistou tanta gente no passado. O problema é que uma boa música e algumas cenas nostálgicas não são suficientes para sustentar um filme inteiro.
No fim, Camp Rock 3 parece muito mais uma oportunidade perdida do que um retorno bem planejado. A nova geração poderia ter funcionado, os personagens poderiam ter sido interessantes e a nostalgia poderia ter sido muito melhor aproveitada.




