Resenha: Paixão, sorte e margaridas, de Laurie Gilmore

Em Paixão, Sorte e Margaridas, publicado pela Editora Intrínseca, Laurie Gilmore encerra a série Os Amores de Dream Harbor com uma história que reúne romance, humor, segundas chances e uma pitada de mistério. Dessa vez, acompanhamos Daisy e Elliot, dois personagens que carregam suas próprias inseguranças e que encontram, um no outro, uma possibilidade inesperada de recomeçar.
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Qual é o casal da vez?
Daisy é conhecida na pequena cidade por aparentemente carregar uma enorme dose de azar, especialmente quando o assunto é amor. Dona de uma floricultura, ela já se acostumou com os olhares e comentários dos moradores, mas existe muito mais por trás dessa imagem de mulher azarada. Elliot, por sua vez, chegou a Dream Harbor há pouco mais de um ano depois de passar por uma grande desilusão amorosa. Ainda tentando reconstruir a própria vida e encontrar seu espaço na cidade, ele faz de tudo para evitar a floricultura de Daisy. O problema é que seu coração parece ter outros planos.
Quando Elliot finalmente aparece na loja para comprar alguns arranjos para a mãe, uma situação inesperada faz com que os dois acabem embarcando em um namoro de mentirinha. A premissa, que por si só já rende momentos divertidos, ganha ainda mais força porque fica claro desde cedo que existe algo diferente entre eles. Principalmente da parte de Elliot, que já demonstrava sentimentos por Daisy muito antes de os dois decidirem fingir que estavam juntos.
Um fake dating que se transformar em algo muito maior:
A narrativa em duplo ponto de vista é uma escolha certeira para a história. Alternando entre Daisy e Elliot, Laurie Gilmore permite que o leitor acompanhe de perto o desenvolvimento dos sentimentos dos dois, mesmo com um fake dating, e perceba como aquele acordo inicialmente despretensioso começa, pouco a pouco, a se transformar em algo muito maior. É justamente essa transição do fingimento para o sentimento verdadeiro que torna o romance tão envolvente.
E, embora o romance seja o coração da história, Paixão, Sorte e Margaridas surpreende ao acrescentar uma pitada de mistério à trama. Ao encontrar uma caixa com fotografias, cartas e objetos relacionados à história de sua família, Daisy começa a investigar seu passado e a questionar se a fama de azarada no amor pode ter alguma relação com acontecimentos vividos por seus familiares.
Esse núcleo funciona muito bem porque acrescenta uma camada diferente à narrativa sem tirar o protagonismo do romance. Pelo contrário: acompanhar Daisy tentando descobrir mais sobre sua família faz com que o leitor queira entender cada vez mais seu passado e, ao mesmo tempo, torça para que ela consiga finalmente romper com a ideia de que está destinada ao azar.

Daisy e Elliot precisavam muito um do outro:
Outro ponto que merece destaque é a construção dos protagonistas. Daisy pode parecer, inicialmente, apenas a mocinha azarada e um pouco atrapalhada, mas a personagem ganha profundidade ao longo da trama. Elliot também foge do estereótipo do homem que simplesmente chega para salvá-la. Ele possui suas próprias feridas e precisa lidar com elas antes de conseguir se entregar completamente a um novo amor. A relação entre os dois, portanto, funciona justamente porque existe uma troca: ambos ajudam o outro a enxergar novas possibilidades para a própria vida.
Laurie Gilmore também acerta no equilíbrio entre romance, humor e emoção. A história proporciona os tradicionais sorrisos bobos, momentos de tensão romântica e cenas capazes de aquecer o coração, mas também encontra espaço para falar sobre família, passado, inseguranças e a coragem necessária para recomeçar.
Uma diferença que também chama atenção em relação aos livros anteriores é a presença mais discreta das cenas hot. Elas continuam fazendo parte da história, mas não ocupam tanto espaço, permitindo que outros elementos sejam mais desenvolvidos. Para mim, essa escolha funcionou muito bem, principalmente porque o romance de Daisy e Elliot ganha força justamente na construção gradual da conexão entre eles.
Vale a pena ler Paixão, Sorte e Margaridas?
No fim, Paixão, Sorte e Margaridas se tornou um dos meus queridinhos da série. Laurie Gilmore conseguiu reunir diversos elementos que tornam um romance especial e ainda encontrou uma maneira delicada de se despedir de Dream Harbor. Daisy e Elliot são protagonistas apaixonantes, e acompanhar a história dos dois torna a despedida dessa cidadezinha ainda mais difícil.
Se existia uma maneira melhor de encerrar Os Amores de Dream Harbor, é difícil imaginar qual seria. Paixão, Sorte e Margaridas é uma leitura leve, divertida, romântica e aconchegante, daquelas que deixam o coração quentinho e fazem o leitor desejar encontrar uma Dream Harbor para chamar de sua — com direito a amigos tão incríveis quanto os que encontramos ao longo da série.




