Resenha: Enchantra (Jogos perversos – vol. 2), de Kaylie Smith

Mistérios, magia, jogos mortais e um romance capaz de tornar tudo ainda mais perigoso. Em Enchantra, segundo volume da série Jogos perversos, Kaylie Smith mergulha os leitores em uma fantasia sombria na qual confiar na pessoa errada pode custar a própria vida. Lançado pela Intrínseca, a obra conta com uma ambientação envolvente, personagens cheios de segredos e uma tensão romântica que cresce a cada página. Ou seja, perfeito para os fãs de romantasia (como eu).
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De volta aos Jogos perversos:
Se em Phantasma Kaylie Smith apresentou um universo marcado por magia, desafios mortais e romances intensos, em Enchantra a autora retorna com uma história que combina esses elementos de maneira envolvente, acrescentando uma mansão misteriosa, segredos familiares e um jogo em que qualquer erro pode custar muito caro. O segundo volume da série Jogos perversos é uma leitura que conquista especialmente pela atmosfera sombria, pela tensão romântica e pela dinâmica entre seus protagonistas.
A trama acompanha Genevieve Grimm, que, após a morte da mãe e a mudança na dinâmica de sua família, sente dificuldade em encontrar seu próprio lugar. Ao receber um convite para passar uma temporada na Itália, ela enxerga a oportunidade de viver algo novo. Entretanto, sua chegada à imponente mansão Enchantra não acontece como esperado. Recebida com hostilidade por Rowin Silver, filho do anfitrião, Gen decide ignorar suas ordens e entrar escondida na propriedade. É então que descobre que a família Silver está presa em um jogo mortal de esconde-esconde, no qual apenas um participante pode sair vitorioso. Para sobreviver, ela precisará formar uma aliança com o próprio Rowin, sob o pretexto de um casamento falso. O problema é que, enquanto tenta escapar dos perigos da mansão, Gen também começa a se envolver com alguém que guarda tantos segredos quanto ela tem motivos para desconfiar.
A mansão Enchantra nos conquista do início ao fim:
Um dos maiores acertos de Kaylie Smith está na construção da atmosfera. A mansão Enchantra funciona quase como uma personagem própria: imponente, misteriosa e repleta de perigos que mantêm o leitor em constante estado de alerta. A combinação entre fantasia sombria, elementos sobrenaturais e competição mortal cria um cenário instigante, no qual a sensação de ameaça acompanha os acontecimentos e torna a leitura ainda mais imersiva. A autora consegue despertar a curiosidade não apenas sobre o destino de Genevieve, mas também sobre os segredos que cercam a família Silver.
Outro destaque é a protagonista. Genevieve tem personalidade forte, é teimosa, espirituosa e não aceita facilmente que outras pessoas decidam seu destino. Sua determinação rende diálogos divertidos e momentos de confronto que ajudam a movimentar a narrativa. Ao mesmo tempo, sua jornada envolve a busca por pertencimento e pela compreensão de seu próprio valor, acrescentando uma dimensão emocional à personagem. Ela não está apenas tentando sobreviver a um jogo perigoso, mas também encontrando um espaço em que possa ser reconhecida por quem realmente é.

Gen e Rowin sabem se sobressair, assim como os demais personagens:
A relação entre Gen e Rowin também merece atenção. Com a dinâmica enemies to lovers, o casamento de fachada e a convivência forçada, o romance se desenvolve em meio a provocações, desconfiança e uma atração difícil de ignorar. Rowin é o tipo de personagem enigmático que desperta curiosidade justamente por esconder suas verdadeiras intenções. A tensão entre os dois contribui para o ritmo da história, enquanto os momentos de vulnerabilidade ajudam a revelar camadas que vão além das primeiras impressões. O relacionamento não se resume à atração física: a confiança, os segredos e as escolhas dos protagonistas tornam essa aproximação parte importante dos conflitos da trama.
A narrativa também se beneficia da mistura entre romance e suspense. Os desafios impostos pelo jogo mantêm a história em movimento, enquanto as relações familiares e os mistérios da mansão ampliam o interesse pelo universo criado pela autora. Embora alguns elementos sejam familiares para quem já acompanha o gênero romantasia, a combinação de competição sobrenatural, magia e envolvimento romântico garante uma leitura divertida e cheia de momentos capazes de prender a atenção.
Além disso, Enchantra demonstra como Kaylie Smith sabe trabalhar com personagens que precisam equilibrar sentimentos e instinto de sobrevivência. Em um ambiente no qual confiar na pessoa errada pode ter consequências fatais, cada aproximação ganha um peso diferente. Essa tensão entre perigo e desejo é um dos aspectos mais interessantes do livro e ajuda a sustentar o envolvimento do leitor até os momentos decisivos.
Vale a pena ler Enchantra?
No conjunto, Enchantra é uma sequência envolvente, que entrega uma fantasia sombria repleta de mistérios, um romance intenso e personagens que tornam a experiência ainda mais cativante. Kaylie Smith constrói uma história que equilibra tensão, magia e sentimentos, mostrando que, em Enchantra, os jogos mais perigosos nem sempre são aqueles que colocam a vida em risco, mas também aqueles que envolvem o coração. Para os fãs de romantasia, especialmente aqueles que gostam de mansões assombradas, protagonistas de personalidade forte, relacionamentos cheios de tensão e romances com uma dose generosa de perigo, o segundo volume de Jogos perversos é uma ótima escolha.




