Coração Partido tem problemas, mas ainda vale a sessão

Sabe aquele filme que não é ruim, mas também não é bom? Ele apenas é aquele tipo de filme perfeito para te entreter em uma tarde em que você não tem nada para assistir. Principalmente se seu gênero favorito é romance entre jovens problemáticos. E eu estou falando de Coração Partido, uma produção russa baseada no romance de Anna Jane, que chegou aos cinemas brasileiros. E eu já preciso confessar: eu sou muito apaixonada por adaptações desse universo, então talvez eu seja um pouco suspeita para falar. Mas vem comigo descobrir os pontos positivos e negativos do filme, e se realmente vale a pena conferir.
Conheça a história de Coração Partido
Coração Partido acompanha Polina, uma adolescente que tenta recomeçar a vida em uma nova cidade, mas acaba se tornando alvo de bullying na nova escola. Quando Bars, um dos alunos mais temidos do colégio, oferece proteção em troca de que ela siga suas regras, os dois entram em um acordo que começa como um relacionamento de fachada. Só que, conforme passam mais tempo juntos, os sentimentos deixam de ser apenas parte do acordo e a relação entre eles começa a se tornar algo verdadeiro.
Uma história que tem tudo e, ao mesmo tempo, não tem nada
O filme, na verdade, não é ruim. Ele é bem parecido com outras adaptações de romances adolescentes que a gente já conhece. Porém, acho que o grande diferencial de Coração Partido está justamente em sair daquele mercado norte-americano ao qual estamos tão acostumados. Aqui temos atores russos, uma ambientação diferente e uma produção que traz aquela mesma fórmula que já conhecemos, mas com uma identidade própria. E, para mim, isso acaba sendo interessante justamente porque muda um pouco a experiência de assistir a esse tipo de romance.
Contudo, o que mais me surpreendeu foi perceber que, apesar de todos os clichês, o relacionamento dos protagonistas não é tão tóxico quanto eu esperava. Pelo contrário. Eu realmente gostei de acompanhar os dois juntos e achei que eles acabam sendo um ponto muito positivo um para o outro. E isso faz diferença, porque estamos falando de um romance que poderia facilmente cair naquela fórmula do garoto problemático que trata a protagonista mal e, de alguma maneira, o filme tenta vender isso como romance. Só que não senti isso aqui. Existe uma conexão entre os dois e você realmente percebe que eles estão interessados um no outro.

O problema é que Coração Partido parece querer colocar absolutamente todos os conflitos possíveis dentro dessas duas horas de história. Temos bullying na escola, mas não estou falando daquele bullying de colocar apelido ou fazer uma brincadeira de mau gosto. É bullying pesado, com agressões físicas, humilhações e a protagonista passando boa parte da história machucada.
Também temos violência doméstica. O padrasto de Polina vai ficando cada vez mais agressivo e controlador, principalmente por causa do ciúme que sente da mãe dela. Além disso, ainda temos a questão da máfia envolvendo a família do protagonista, corrida ilegal e vários outros conflitos.
E aí eu fiquei pensando: precisava de tudo isso? Porque acho que o filme teria funcionado muito bem se tivesse escolhido um ou dois desses problemas para desenvolver melhor. Quando ele tenta abordar todos ao mesmo tempo, algumas questões acabam parecendo exageradas e outras não recebem a profundidade que poderiam ter.
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O casal é o grande acerto e uma amizade agradável
Apesar de todos esses problemas, uma coisa que funciona muito bem para mim é justamente o casal. É gostosinho acompanhar a dinâmica dos dois, principalmente perceber como a relação vai melhorando aos poucos. E, por mais que a história ao redor deles seja cheia de problemas, os dois conseguem trazer uma leveza para o filme.
Você realmente sente que existe sentimento ali. Não parece simplesmente aquele romance colocado no roteiro porque os protagonistas precisam terminar juntos. Eles realmente estão a fim um do outro. Mesmo que a química entre eles não seja das melhores, é muito mais fácil continuar acompanhando a história. E acho que é justamente por isso que, mesmo com tantos assuntos fortes, o filme não se torna completamente pesado. O relacionamento dos dois acaba funcionando como um respiro no meio de todos os conflitos.
Outro ponto que eu gostei bastante foi a amiga da protagonista. Eu achei ela uma fofíssima! E, sinceramente, eu ficaria muito encantada de acompanhar uma história focada nela. O que mais gostei é a lealdade que ela demonstra. Mesmo mal conhecendo a Polina e tendo medo de também sofrer bullying por defendê-la, ela vai com tudo para cima das meninas que estão perseguindo a nova amiga. E eu acho muito legal quando uma amizade é construída dessa maneira. É um detalhe que pode parecer pequeno dentro da história, mas que eu gostei bastante de acompanhar.

Vale a pena assistir?
No geral, eu acho que Coração Partido é um filme legal. Não é uma produção que vai revolucionar o gênero ou se tornar um dos meus romances favoritos, mas também está longe de ser uma experiência ruim. Não dá para exigir de Coração Partido uma produção gigantesca. Estamos falando de um filme adolescente com atores que ainda não são nomes conhecidos pelo grande público brasileiro, então não espere atuações dignas de Oscar. Mas, dentro da proposta, acho que o elenco cumpre bem o seu papel.
Para mim, o maior problema é justamente o excesso de problemáticas. Violência doméstica, bullying pesado, máfia, corrida ilegal… acho que se o filme tivesse escolhido um ou dois desses caminhos para desenvolver melhor, a história poderia ter sido muito mais interessante. Mas, ainda assim, eu me diverti assistindo.
Se você gosta de romances jovens, se diverte com esse tipo de clichê, gosta de histórias de relacionamento que começam de uma maneira complicada e quer assistir a alguma coisa diferente dos grandes blockbusters que normalmente dominam os cinemas, acho que Coração Partido pode ser uma boa opção. Principalmente para assistir com a sua melhor amiga. Não é maravilhoso. Não é perfeito. Mas é gostosinho de assistir e às vezes é exatamente isso que a gente procura em um filme.




