Última temporada de Stranger Things: É boa?

Depois de 9 anos, chegou ao fim uma das séries mais importantes e épicas já lançadas pela Netflix. Com 8 episódios, a quinta e última temporada de Stranger Things já está completa e disponível na Netflix. Óbvio que uma série tão popular como essa iria dividir opiniões, mas será que realmente os irmãos Duffer conseguiram entregar um final digno para uma série tão fenomenal? Vem saber o que achei do episódio final da última aventura de Stranger Things!
O fim de uma era em Hawkins
Depois de 4 anos (praticamente) de espera, chegamos na quinta e última temporada de Stranger Things. Ao mesmo tempo, parece que foi que nos apaixonamos por esses personagens, que choramos com a morte de cada um deles, e morremos de medo do devorador de mentes. E depois das duias últimas temporada (3ª e 4ª) serem consideradas as melhores, as expectativas para a 5ª e última estavam lá no alto.
Não dá pra negar que essa foi uma temporada de altos e baixos, sendo os episódios do volume 1 muito mais atrativos e envolventes do que os do volume 2, mas é fácil entender o motivo disso ter acontecido. Precisávamos de um suspiro entre os primeiros episódios e o último, afinal, algumas coisas precisavam ser introduzidas e explicadas para serem trabalhadas posteriormente. Talvez esse tenha sido um dos meus maiores receios quando terminei o volume 2. Afinal, eles estavam inserindo novos personagens e até mesmo novas situações que precisariam de uma explicação futura. Entretanto, quando cheguei no último episódio, me surpreendi.

A batalha final
Confesso que esperava algo mais épico e grandioso para a batalha final, mas depois que finalizei, fez sentido na minha cabeça ser daquela forma. Stranger Things sempre foi uma série sobre o poder da amizade, e pela primeira vez, ali naquela luta, estávamos com todo o núcleo reunido. Além disso, foi muito significativo a Joyce finalizar o trabalho da Eleven e do Will ao matar o Vecna. Foi uma das cenas mais prazerosas e emocionantes de todo o episódio. Foi bem construída, reviveu tudo o que o vilão fez de ruim com aqueles personagens e foi ainda mais importante porque, na cena antes da batalha, há justamente um momento de “tentativa” de redenção do Henry.
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E já que o foco foi direcionado ao Henry, merece ser destacada a atuação impecável de Jamie Campbell Bower, não apenas neste último episódio, mas ao longo de toda a temporada. As várias faces do personagem puderam ser vistas, desde ele ainda criança, quando tudo começou, até o momento em que passa a ser utilizado como um “fantoche” pelo Devorador de Mentes. Por sua vez, foi relembrado pelo excelente trabalho de roteiro que o verdadeiro vilão da série é o Devorador de Mentes e que o Vecna, na verdade, acabou sendo uma espécie de ajudante dele.

Furos de roteiro que não comprometem o resultado
Óbvio que a série tem furos de roteiro e principalmente de sequência, mas que no geral não me incomodaram, porque deu para entender. Era só ter prestado atenção que as respostas estavam lá. Talvez pudessem ter colocado com mais clareza? Sim, mas eles colocaram, e o que não foi explicado, na minha visão, não iria acrescentar ou interferir em nada na narrativa. Às vezes, abriria até mais espaço para perguntas não respondidas do que qualquer outra coisa, então foi melhor deixar fora mesmo.
Sem dúvidas, a pequena Nell, a Holly, rouba a atenção da temporada. Além de ser uma das grandes revelações e acerto dessa reta final. Por outro lado, Millie deixa a desejar, mas com o desfecho da personagem Eleven, faz certo sentido a atriz ter ficado um pouco deslocada durante todos os 8 episódios, uma pena.

Um encerramento coerente, apesar das falhas
No geral, a última temporada de Stranger Things, principalmente o último episódio, resgata a essência da simplicidade que nos foi apresentada lá na primeira temporada. Reforçou o quanto as amizades são importantes, assim como a família e o amadurecimento de todos os personagens, dando o devido desfecho para cada um deles, e não só dos protagonistas (as crianças no caso). Sem dúvidas, foi um momento que marcou, emocionou e deixou um quentinho no coração ao mostrar que agora eles vão finalmente poder viver a adolescência, já que a infância foi roubada pelo Mundo Invertido.
Achei coerente não ter mortes mais marcantes, esse nunca foi o intuito dos criadores, fazer mortes apenas para chocar. Fico triste com o final da Eleven, mas também acho coerente para o caminho que o roteiro estava seguindo. A minha única reclamação é sobre os efeitos gráficos, que ficaram bem a desejar nessa fase final. De resto, Stranger Things entrega um final agradável, com falhas, mas que fecha o ciclo das crianças de Hawkins reverenciando o passado ao terminar da mesma forma que começou: os amigos no porão jogando D&D.





