Resenha: Solasta, de Nessa Alviera

Disponível no Kindle Unlimited, Solasta, de Nessa Alviera, é uma romantasia clichê, com elementos já conhecidos, e super bem feita. Na verdade, a obra não tenta reinventar a roda, mas a faz girar com competência, sensibilidade e encanto. Por isso, vamos falar sobre Solasta:
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Qual é a história?
Aisling nunca se encaixou em sua família ou na cidade onde vivia. Excluída por um estigma que carrega desde que nasceu, tudo o que mais deseja é aceitação e pertencimento. Quando um forasteiro chega à cidade — um homem lindo, rico e envolto de mistério — todos se surpreendem ao vê-lo escolher Aisling como uma esposa em potencial.
Contra sua vontade, Aisling aceita se casar com Aron, mas em vez de desfrutar uma lua de mel em alguma ilha paradisíaca, ela se vê arrastada para um mundo novo, onde florestas têm olhos, barganhas te prendem para o resto da vida, e seu destino parece gravado em pedra.
Tir Na Si, a Terra Encantada dos Feéricos, é tão deslumbrante quanto perigosa — um lugar onde beleza e crueldade andam lado a lado, e cada palavra dita pode ser uma armadilha. Conforme atravessa esse mundo ao lado de Aron, Aisling não sabe se deve temê-lo ou ceder aos sentimentos conflitantes que começam a crescer entre eles.
Uma romantasia clichê e bem feita:
Solasta, de Nessa Alviera, insere-se com clareza no universo da romantasia, dialogando diretamente com leitores que já são fãs do gênero e de seus elementos mais tradicionais. À primeira vista, a obra pode ser classificada como uma romantasia clichê — reinos marcados por magia, conflitos já familiares, personagens que parecem ecoar arquétipos conhecidos da fantasia. No entanto, é justamente na forma como esses clichês são trabalhados que o livro encontra sua força. Pois a obra não tenta reinventar a roda, mas a faz girar com competência, sensibilidade e encanto.
Desde o início, a narrativa apresenta um mundo que soa familiar aos leitores do gênero, o que facilita a imersão. A magia, os conflitos e a construção do universo seguem caminhos já trilhados, mas são apresentados de maneira coesa e envolvente. Esse reconhecimento não gera cansaço; ao contrário, cria conforto e expectativa, permitindo que o leitor foque no que realmente sustenta a história: os personagens e suas relações.
Nessa brilhou no casal e na escrita:
O casal principal é, sem dúvida, um dos maiores acertos da obra. A dinâmica entre eles, construída gradualmente, cativa do começo ao fim. O desenvolvimento do relacionamento é orgânico, respeitando os conflitos individuais e externos que os cercam, e faz com que o leitor se envolva emocionalmente com suas escolhas, dúvidas e sentimentos. Mesmo dentro de uma estrutura conhecida, a autora consegue dar personalidade ao romance, tornando-o convincente e afetivo.
A escrita de Nessa Alviera é outro ponto alto de Solasta. Fluida e simples, ela não se apoia em excessos ou descrições rebuscadas, mas alcança um tom poético que permeia toda a narrativa. A autora utiliza palavras acessíveis para transmitir significados profundos, carregando o texto de emoção e simbolismo sem torná-lo pesado. Essa escolha estilística contribui para que o mundo, a magia e os personagens ganhem vida de forma delicada, quase etérea, envolvendo o leitor com naturalidade.
Vale a pena ler Solasta?
Ao final, Solasta se mostra uma obra que entende bem o público para o qual foi escrita. É uma romantasia que abraça seus clichês e os transforma em virtudes, sustentada por um romance envolvente e por uma escrita sensível e encantadora. Nessa Alviera entrega uma história que não busca surpreender pela originalidade extrema, mas conquista pela execução cuidadosa, pela emoção constante e pela magia que se espalha por cada página. É um livro que reafirma o poder das boas histórias: aquelas que, mesmo conhecidas em sua essência, ainda conseguem tocar e encantar.




