Resenha: No Meio da Noite, de Riley Sager

Depois do sucesso de O Massacre da Família Hope, a editora Intrínseca traz o novo livro de Riley Sager, No Meio da Noite. Eu, como fã das histórias de suspense do autor, já li e venho compartilhar minha opinião sincera sobre essa trama que mistura assassinato, fantasmas e um instituto sinistro no meio da floresta.
O que acontece em No Meio da Noite?
A pior coisa que a vizinhança de Hemlock Circle já presenciou aconteceu no quintal da família Marsh. Em uma noite quente de julho de 1994, Ethan Marsh, com dez anos na época, e seu melhor amigo, Billy Barringer, acampavam no gramado de sua casa, na sossegada rua sem saída de Nova Jersey. Na manhã seguinte, Ethan acordou com a luz do sol no rosto e percebeu que estava sozinho. Durante a noite, alguém cortou a lateral da barraca com uma faca e levou Billy. O menino nunca mais foi visto.
Trinta anos se passam e, com a mudança repentina dos pais, Ethan volta a morar na casa onde cresceu. Atormentado pela insônia e sempre pelo mesmo pesadelo que passou a ter depois do desaparecimento do amigo, ele começa a notar que coisas estranhas vêm acontecendo no meio da noite. Luzes com sensor de movimento na garagem dos vizinhos se acendendo e se apagando, bolas de beisebol surgindo no quintal, objetos em lugares que ele não se lembra de ter colocado… Estaria alguém lhe pregando uma peça de mau gosto? Ou será que Billy, dado como morto por muitos, teria retornado a Hemlock Circle?

Elementos fantasmagóricos e um protagonista complexo
Como disse no início, sou muito fã dos livros de Riley Sager, mas preciso destacar que este foi o que menos me cativou no final. Ainda assim, o livro tem pontos fortes. Um deles é o uso de elementos fantasmagóricos, que dão um diferencial à leitura. A ideia de que Billy teria voltado para ajudar Ethan a desvendar seu sequestro torna a trama mais imprevisível e instigante. Conforme novos personagens aparecem, fica ainda mais difícil descobrir o que realmente aconteceu.
E falando no protagonista, Ethan é um homem cheio de traumas e bem melancólico, mas eu entendo completamente o trauma. Aliás, a história é dividida entre o passado e o presente e é quando conseguimos acompanhar bem a jornada do personagem. E isso é um dos maiores acertos do livro, porque Ethan é cara zero carismático, até um pouco paranoico, mas de toda forma criamos uma empatia justamente saber como foi a infância e o que fez chegar naquele ponto.
Uma narrativa envolvente, mas
A leitura é fácil, fluida e envolvente. Embora o início seja um pouco lento, rapidamente a história ganha ritmo e se torna viciante. Inclusive, em menos de 3 dias eu já tinha terminado a leitura. Realmente, Riley tem o dom de envolver o leitor e transportá-lo para a história. Além de transformar em um detetive!
Apesar de toda a empolgação durante a leitura, a reta final me frustrou. O excesso de reviravoltas nos últimos capítulos me deixou cansada. Nos cinco capítulos finais, vários personagens tentam resolver seus problemas ao mesmo tempo, e o desfecho acaba previsível. Senti falta daquela sensação de surpresa e, principalmente, me faltou uma certa empatia pelo Billy. Sinceramente? Que criança para me irritar!
Considerações finais
No Meio da Noite é um bom livro, mesmo com um final arrastado. A história entrega mistério, fantasmas e uma leitura envolvente. Talvez por já ter lido outros livros do autor, percebi um certo padrão na fórmula usada. Mesmo assim, indico a leitura para quem quer conhecer Riley Sager.




