Resenha: Mulher em queda, de Colleen Hoover

Depois de muito tempo, Colleen Hoover está de volta com o livro Mulher em queda. A nova história promete muitas reviravoltas e aquela sensação de “só mais um capítulo” que prende o leitor do começo ao fim. Mas será que funciona? Vem comigo que eu te conto o que achei do novo livro da autora.
Conheça a história de Mulher em queda
Petra Rose já arrebatou multidões e dominou as listas de livros mais vendidos. Mas, após a reação devastadora a uma adaptação de uma de suas obras, ela perdeu tudo: credibilidade, público e até a vontade de escrever. O ódio viral da internet a transformou em alvo fácil, e cada página em branco é mais um lembrete de que sua carreira pode estar chegando ao fim.
Desesperada para se reerguer, Petra se refugia em uma cabana à beira de um lago, determinada a concluir o suspense que pode salvar sua vida profissional. Só que ela não vai ficar sozinha por muito tempo.
Nathaniel Saint, um detetive misterioso, surge com notícias perturbadoras ― o que desperta em Petra uma criatividade feroz, quase obsessiva. Conforme suas palavras ganham vida, a fronteira entre ficção e realidade começa a se dissolver. O personagem escrito por ela não apenas se assemelha demais com o homem que a inspira… como também parece estar assumindo o controle da história.
Cada conversa, cada toque, cada segredo compartilhado intensifica a conexão entre eles. Mas a inspiração tem um preço, e Petra logo percebe que o caos que trouxe de volta sua voz pode também destruí-la.
Uma história reaproveitada
Primeiramente, eu preciso dizer que sse livro não surgiu exatamente do zero. Na verdade, Colleen Hoover reescreveu e retrabalhou uma história que antes existia como um conto, mas que claramente tinha muito potencial. E dá pra sentir isso. A autora reaproveitou o enredo e conseguiu expandir a narrativa de uma forma envolvente, com um desenvolvimento que realmente prende o leitor. É aquele tipo de livro que te faz querer continuar, mesmo quando você está irritada com tudo.
E falando em irritação… preciso confessar. A protagonista, Petra, me tirou completamente do sério. Em vários momentos eu estava surtando com as atitudes dela e só queria sacudir a personagem. Mas, pensando melhor, isso parece ser exatamente o que a autora propõe. Petra é uma personagem de caráter duvidoso, cheia de escolhas questionáveis e tudo bem. Pessoas assim existem. Nem todo protagonista precisa ser agradável ou fácil de amar, e esse desconforto faz parte da experiência de leitura.
Entre as várias reviravoltas da história, uma em especial, ali no meio do livro, foi a que mais me impactou. Foi naquele momento que pensei “Meu Deus, eu não acredito que isso aconteceu”. Essa virada dá um gás enorme na narrativa e te faz querer continuar a leitura, mesmo que a personagem continue te irritando. Para mim, o timing dessa reviravolta foi perfeito e funcionou muito bem dentro da proposta do livro.
Quando a ficção dialoga com a realidade
Outro ponto interessante é como a história acaba dialogando, mesmo que indiretamente, com a realidade da própria autora. Aqui acompanhamos uma escritora que enfrenta dificuldades relacionadas à adaptação de sua obra. É impossível não fazer uma correlação com os problemas recentes que Colleen Hoover teve nesse sentido. Apesar de a autora deixar claro que a história não é autobiográfica, a reflexão está ali.
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A narrativa também questiona essa ideia de que o autor precisa necessariamente ter vivido determinada experiência para conseguir escrever sobre ela, algo que muitos leitores cobram. E esse debate é, para mim, um dos grandes acertos do livro. Ou seja, quando Colleen traz uma personagem relativamente próxima da sua própria realidade e passa o tempo todo questionando essa necessidade de “vivenciar para escrever”, ela acerta em cheio. Não, o autor não precisa passar por tudo aquilo para contar uma boa história. E o livro deixa isso muito claro de forma inteligente.
Vale a pena ler Mulher em Queda?
Dito isso, Mulher em Queda não entrou no meu top 3 de favoritos da autora. Mas, sem dúvida, está ali brigando por um lugar no top 5. É um livro que prende, entrega o que promete e apresenta reviravoltas que fazem sentido dentro da narrativa. Talvez eu estivesse esperando um pouco mais do final, especialmente uma postura mais firme da protagonista depois de tudo o que ela viveu. Ainda assim, isso não estragou minha experiência.
No geral, é um livro que recomendo para quem já gosta de Colleen Hoover e também para quem curte histórias com um toque de mistério. Não chega a ser um thriller, mas funciona bem como aquele suspense mais leve, cheio de questionamentos. Além disso, é uma leitura fácil, rápida e envolvente. Para fãs da autora, é difícil não gostar.




