Resenha: Menina boa menina má, de Ali Land

Lançado em 2018, Menina boa menina má, continua sendo um livro espetacular até mesmo para quem já leu diversos outros títulos de thriller psicológico. Com uma escrita envolvente e uma personagem enigmática, mas ao mesmo tempo inocente, Ali Land nos transporta para uma história estarreceroda de tirar o fôlego. Vem comigo saber mais!
Conheça a história
Os corações das crianças pequenas são órgãos delicados. Um começo cruel neste mundo pode mudar para sempre o seu destino. A mãe de Annie é uma assassina em série. Um dia, Annie a denuncia para a polícia e ela é presa. Mas longe dos olhos não é longe da cabeça. Os segredos de seu passado não a deixam dormir, mesmo Annie fazendo parte agora de uma nova família e atendendo por um novo nome – Milly. Enquanto um grupo de especialistas prepara Milly para enfrentar a mãe no tribunal, ela precisa confrontar seu passado. E recomeçar. Com certeza, a partir de agora vai poder ser quem quiser… Mas a mãe de Milly é uma assassina em série. E quem sai aos seus não degenera.
Quem é a menina boa menina má?
Quando comecei a leitura, fiquei presa à história logo de cara, porque qualquer suspense, thriller ou terror que envolva crianças me deixa extremamente tensa, mas, ao mesmo tempo, completamente vidrada. E foi exatamente isso que aconteceu com Menina Boa, Menina Má. O livro já começa depois que a situação principal aconteceu, e você passa toda a leitura tentando entender o porquê daquilo e como aquela história vai se desenrolar.
Aos poucos, vamos acompanhando melhor a situação de Annie, que agora se chama Milly, e entendendo sua nova rotina, a nova casa e a nova família. Antes de certas coisas acontecerem, já dá para imaginar o que ela está passando. Afinal, ela tem 15 anos e viveu a vida inteira ao lado de uma psicopata. É impossível não tentar compreender seu comportamento, é inevitável pensar no quanto o meio influencia uma criança que ainda está formando o caráter.
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E exatamente nesse ponto, que o livro foi me chocando aos poucos. Por mais que algumas situações pareçam surreais, o comportamento da garota faz sentido dentro da história. O rumo que tudo toma é coerente com os sentimentos dela e com o que ela viveu. Como a narrativa é praticamente toda do ponto de vista da criança, fica mais fácil tentar compreender suas atitudes. Mesmo com 15 anos e alguma noção das suas atitudes, ela não conhece a vida real, não sabe o que é receber o amor genuíno de uma família. Então, quando surge essa oportunidade, vem também o medo de perder tudo e, principalmente, o medo de se tornar igual à mãe.
Menina boa menina má é um livro que mexe muito com quem lê, principalmente ao questionar se está certo ou errado ao compreender a protagonista. Em vários momentos eu me perguntei se não estava sendo injusta comigo mesma por sentir empatia por ela, mas considerando o quanto o ambiente molda uma pessoa em formação, tudo ali faz sentido.
Os outros personagens, como o pai, a mãe e a Phoebe, podem parecer menos marcantes à primeira vista, mas têm, sim, um papel importante na construção da história e no envolvimento emocional do leitor.

Um final previsível, mas ainda assim intenso
O final foi previsível, mas previsível no melhor sentido possível. Ele é coerente com tudo o que o livro apresenta desde o início. Não há uma grande reviravolta, mas um desfecho justo e condizente com a proposta da história, sem perder o foco do que vinha sendo construído.
Talvez o ponto que mais me incomodou tenha sido o ritmo depois do julgamento. A autora trabalha muitos detalhes ao longo da narrativa e, quando chega ao final, parece que tudo acontece rápido demais. A parte do julgamento é excelente, nos transporta para o momento e mexe muito. Quando a verdade vem à tona, surge um misto de sentimentos difícil até de explicar.
Vale a pena?
No geral, Menina boa menina má é um livro maravilhoso. Mesmo sendo uma obra mais antiga, continua funcionando muito bem como thriller. É o tipo de leitura que dificilmente você sente que já leu aquela história antes. A escrita é envolvente, os detalhes são bem construídos e os personagens, principalmente a protagonista, são muito bem trabalhados. Dá para enxergar claramente as duas faces da criança e comparar sua criação com a de outra que cresceu cercada de cuidado e amor, ainda que mimada. Esse contraste reforça ainda mais as reflexões que o livro propõe.
É uma leitura que continua com você mesmo depois de terminar, fazendo pensar sobre julgamentos, empatia e até sobre as próprias reações durante a leitura. Cada leitor vai ter uma interpretação diferente: alguns vão tentar compreender a protagonista, outros vão odiá-la, e tudo isso é válido. No fim das contas, a função desse thriller é exatamente essa. Recomendo para quem gosta do gênero, porque é envolvente, intenso e daqueles que você lê muito rápido.




