Resenha: Cine Killer, de Renné França

Sabe aquele livro de thriller que prende a gente logo no início e faz termos vários ataques cardíacos durante a leitura? Pois então, Cine Killer, de René França, é um desses livros. Vem comigo saber mais dessa história.
Conheça a história
Pedro acreditava estar vivendo a oportunidade de sua vida ao substituir temporariamente um dos mais respeitados críticos de cinema do país. Mas tudo muda quando seu mentor aparece morto em circunstâncias misteriosas. Embora a polícia trate o caso como suicídio, Pedro identifica um detalhe perturbador: a cena reproduz uma famosa sequência de O exorcista.
A descoberta leva a uma investigação cada vez mais sombria. Novos assassinatos surgem, todos recriando mortes icônicas da história do cinema de terror. Convocado para auxiliar a polícia graças ao seu vasto conhecimento cinematográfico, Pedro passa a decifrar pistas escondidas em referências a filmes, diretores e personagens clássicos enquanto tenta antecipar o próximo ataque.
À medida que a caçada ao chamado “Cine Killer” avança, a fronteira entre ficção e realidade se torna cada vez mais tênue. Em uma São Paulo marcada por segredos, obsessões e disputas de poder, cada sessão de cinema pode esconder a chave para impedir uma nova tragédia.
Uma viagem pelos clássicos do cinema
A verdade é que, quando comecei a ler Cine Killer, eu não sabia exatamente o que me aguardava. Eu tinha uma noção de que era um thriller pelo nome e imaginava mais ou menos o que encontraria. Principalmente depois das primeiras páginas. Mas nada disso afetou a experiênciade leitura, pelo contrário. Afinal, o desenrolar da história foi tão emocionante e me envolveu tanto que eu simplesmente não conseguia largar o livro.
Cine Killer é uma obra relativamente curta, mas extremamente rica em detalhes e referências. Para quem ama cinema, é um verdadeiro prato cheio. A ideia geral do livro é muito boa porque, em diversos momentos, nos faz questionar nossas próprias percepções, intenções e até mesmo o nosso amor pelo cinema.
A obra traz uma discussão interessante sobre até que ponto o cinema pode ser real e até onde o audiovisual pode ultrapassar barreiras e transformar algo em realidade.
Personagens interessantes
Os personagens são extremamente interessantes. Não são necessariamente cativantes no sentido de criar uma conexão emocional, mas são intrigantes o suficiente para despertar a curiosidade do leitor. Você não se apega a eles, mas quer continuar acompanhando a investigação e descobrir o que realmente está acontecendo.
Mais uma vez, trata-se de uma história riquíssima em detalhes e que não economiza descrições sobre os acontecimentos, principalmente quando o assunto são os assassinatos. A trama se passa em São Paulo e acompanha um serial killer que está reproduzindo cenas de morte famosas do cinema na vida real. Já pesado por si só!
Entre algumas das mortes como, as gêmeas de O Iluminado e do Zé do Caixão foram as que mais me impactaram. Claro, além delas tem diversas outras referências que vão muito além do terror e de assassinato.
Você precisa dar uma chance para Cine Killer
O livro é muito bem construído e a história faz bastante sentido. O mais interessante é que a revelação da identidade do Cine Killer não tira a força da narrativa. Pelo contrário. Mesmo depois de descobrir quem está por trás dos crimes, você continua completamente preso à história, querendo entender qual será o desfecho daquela investigação e de todos os acontecimentos que foram construídos ao longo da trama.
Também é muito interessante observar como o autor consegue conectar tudo aquilo que foi apresentando ao longo do livro. As histórias, as referências e todas as conexões feitas durante a narrativa se unem de uma forma extremamente satisfatória.
Spbre o final, eu achei que ele entrega tudo que promete e um pouco mais. Na última cena temos um desabafo do protagonista que muda completamente nossa perspectiva da leitura. Foi um daqueles momentos em que terminei a leitura e precisei parar para refletir sobre tudo o que acabei de ler.
Sensação de realismo
De certa forma, o livro também passa uma sensação de realismo muito interessante. Não necessariamente porque pareça baseado em algo que realmente aconteceu, mas porque a história se passa em uma realidade muito próxima da nossa. É fácil imaginar aqueles cenários, aquelas situações e aquele universo existindo ao nosso redor.
Além disso, como jornalista, produtora de conteúdo, dona de um site e alguém que participa frequentemente de cabines de cinema, foi inevitável não me identificar com diversas situações e comentários presentes na história. Foi um livro que mexeu comigo em vários sentidos. Mexeu comigo como jornalista, como criadora de conteúdo, como alguém apaixonada por cinema e filmes de terror.
Para mim, foi uma experiência nota 10. Entretanto, o único ponto que me incomodou foi o excesso de referências cinematográficas em alguns momentos, especialmente no início da história. Como a trama ainda estava se desenvolvendo e encontrando ritmo, senti que a quantidade de referências acabou deixando os primeiros capítulos um pouco mais arrastados do que eu gostaria.
Por outro lado, quando a história realmente engrena, algo que acontece por volta do capítulo cinco, tudo passa a fluir de forma extremamente natural. A partir desse ponto, a leitura se torna viciante e praticamente impossível de largar.
Se você gosta de cinema precisa dar uma chance!
Se você gosta de cinema, filmes de terror, faroestes, histórias de serial killers, thrillers e principalmente se está procurando um bom livro nacional, Cine Killer é um livro que merece entrar na sua lista de leituras. O livro será publicada pela Editora Gutenberg e eu estou muito ansiosa para poder comentar dessa história com todo mundo!




