Patinando no Amor é ruim? O final polêmico da série da Netflix

Patinando no Amor é aquela série que, curiosamente, não está dividindo opiniões. Na internet, o consenso parece ser um só: é ruim e tudo por causa do final. Mas, se eu te disser que foi justamente o final que me fez amar a série? Pois é. Vem comigo que eu vou te explicar o que eu achei da nova produção da Netflix, que deixou o público revoltado.
Mas antes de entrar de vez na minha opinião, vale entender melhor a história de Patinando no Amor.
Em Patinando no Amor, vamos companhar Adriana Russo, a filha do meio de uma família com referência na patinação no gelo Contudo, a família está passando por uma crise financeira e está prestes a perder o rinque que gerenciam. Diante dessa situação, Adriana resolve voltar a patinar profissionalmente e conseguir patrocinadores para participar do Campeonato Mundial de Patinação Artística.
Entretanto, depois que seu ex-parceiro no esporte e primeiro amor arranja uma nova dupla, ela precisa chamar o ambicioso e rebelde Breyden Elliopara patinar junto com ela no novo ciclo de competições. Mesmo não se dando bem de cara, Breyden e Adriana não conseguem negar a química que possuem no gelo. Então, para conseguirem alcançar seus objetivos, eles fingem estar em um namoro falso e atraír os olhares das marcas e do júri.
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Por que Patinando no Amor virou alvo de críticas?
Agora que você já sabe sobre o que a série fala, vamos à grande questão: por que eu gostei tanto do final? Justamente porque ele me pegou completamente de surpresa. Durante todo o andamento da história, tudo indica que ela vai ficar com o novo par (o Breyden). O que de certa forma faz sentido narrativo e principalmente dentro do clichê. Só que, ao mesmo tempo, também faz todo o sentido ela não conseguir desistir do Freddie. Afinal, ele é o primeiro amor dela. E vamos combinar, sem hipocrisia: se você tivesse a oportunidade de ficar com o seu crush da adolescência, você ficaria! Nesse ponto, a série acerta muito, porque os três personagens têm uma química absurda e a Adriana funciona com os dois, e isso deixa o conflito ainda mais interessante.
No final, a protagonista beijou o loiro, beijou o crush da adolescência, brigou com a irmã mais velha, foi campeã mundial e, sinceramente, você quer mais o quê? A menina zerou a vida. E mais: esse final deixa um gancho perfeito para uma segunda temporada, com ela descobrindo que talvez o crush da infância não seja o amor da vida dela. Mas ela precisava viver isso para seguir em frente. O detalhe é que a série é baseada em um livro que não tem continuação. Ainda assim, nada impede roteiristas e autora de se sentarem numa sala e explorarem as muitas pontas soltas da história, além de desenvolver melhor personagens que claramente têm potencial.

Muito além do gelo
E falando nos outros personagens, Patinando no Amor não se prende apenas ao romance e à patinação. A série aborda a pressão de um legado familiar, a relação de um pai viúvo tentando criar três filhas sozinho, o abandono, as dinâmicas entre irmãs e até a presença de uma amiga que praticamente assume o papel de mãe da família. Aliás, é muito interessante acompanhar a conexão entre Camille e o pai das meninas ao longo da narrativa porque vai muito além do trabalho no gelo.
Uma personagem que me surpreendeu muito foi a Elise. Para mim, ela foi quem mais evoluiu. No começo, ela é a filha mais velha mimada, a estrela da casa, a campeã da família. E aos poucos, ela se transforma na verdadeira irmã mais velha, conselheira e líder. Dá para ver claramente quando ela começa a se enxergar não só como atleta, mas como alguém essencial para liderar a equipe. Esse crescimento é um dos pontos altos da série.
Claro que nem tudo é perfeito. Pelo fato de a produção não se prender tanto ao rinque, fica evidente um certo descuido técnico que, honestamente, eu achei até engraçado. Os atores não são patinadores profissionais, e a série nem tenta esconder isso. Nas cenas de competição, os dublês aparecem de forma muito clara, com perucas duvidosas e rostos que não batem com os atores. O cuidado é zero, mas isso não me incomodou. Pelo contrário, achei muito boa a solução que eles derem de levar muitas cenas importantes para fora do gelo, como ensaios no celeiro, onde a química entre os protagonistas realmente se desenvolve. E funciona!

Patinando no Amor é ruim ou só incompreendida?
Patinando no amor é aquela tipica série que foi feita para entreter. É uma história para te deixar revoltada, porque o final e os personagens claramente vão te irritar. Você passa todo o tempo esperando que o fake date vire namoro de verdade, mas você recebe aquele discurso clássico de amor eterno. Quando a reviravolta acontece, a frustração vem e essa é exatamente a intenção da série. Ela quer mexer com o telespectador, brincar com suas expectativas e dizer: você escolheu o casal errado.
No fim, Patinando no Amor pode não ter agradado a maioria, mas me agradou muito justamente por ter sido surpreendente. Quando a protagonista diz que irá atrás do crush da adolescência enquanto ainda houver uma chance, eu só consegui aplaudir. Mulher determinada! Isso me animou ainda mais para uma possível continuação, mesmo que ela aconteça. Na minha cabeça, a história continua, com rivalidades, emoções e novos conflitos.
Vale assistir?
Então não, Patinando no Amor não é uma série ruim. Ela também não é perfeita. Mas é uma série gostosa, caótica, cheia de barracos, irmãs errando, amigas furando o olho, adolescentes fazendo merda e descobrindo o amor. E, às vezes, é só disso que a gente precisa.




