O Último Azul: Quando a liberdade se torna uma missão de vida

O Último Azul, filme de Gabriel Mascaro e Tibério Azul, traz uma reflexão profunda quando a liberdade se torna uma missão de vida. Afinal, tem uma senhora de 75 anos que se recusa a embarcar em um programa do governo e busca sua autonomia. Ou seja, O Último Azul nos desperta fortes emoções:
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Etarismo é o tema chave da narrativa:
A maior virtude de O Último Azul é a forma como abraça o envelhecimento como tema central, mas não pelo viés do clichê. Afinal, seria fácil transformar sua protagonista em uma senhora frágil, presa a imagens tradicionais de avós ou a dramas sobre doenças terminais. Ao contrário dessas produções, o longa transforma a velhice em motor de liberdade, construindo uma metáfora poderosa sobre o direito de viver intensamente em qualquer idade.
O pano de fundo distópico só amplia essa reflexão: em um futuro próximo, idosos que chegam aos 75 anos são obrigados a se retirar para colônias habitacionais, supostamente para não se tornarem um fardo para os mais jovens. Essa ideia, que poderia soar absurda, ganha força porque dialoga diretamente com a forma como a sociedade contemporânea encara a terceira idade. Muitas vezes vista como peso, descartada ou invisibilizada.

A coragem de lutar por você mesmo(a):
A protagonista Tereza, interpretada com maestria por Denise Weinberg, recusa-se a aceitar esse destino imposto. Seu inconformismo dá corpo a uma narrativa que denuncia não apenas o controle autoritário de um Estado distópico, mas também uma lógica social muito real: trabalhamos a vida inteira e, quando finalmente poderíamos descansar, somos tratados como descartáveis. O que poderia ser lido como ficção científica pura, na verdade, carrega ecos dolorosamente familiares, e é nesse ponto que o filme ganha potência. É claro que cada personagem que se junta a trama também completa, mas essa líder é a que mais se destaca.
Além disso, tem um elemento que acrescenta bem a história. A fotografia de Guillermo Garza se torna quase uma personagem própria dentro da trama. Os tons pastéis e desbotados que marcam o início do filme refletem a vida monótona e controlada de Tereza. Conforme ela embarca em sua jornada, as cores ganham saturação, revelando vitalidade e esperança. Garza constrói imagens que não apenas ilustram a narrativa, mas dialogam diretamente com os estados de espírito da personagem
Sim, veja O Último Azul!
O Último Azul é uma poesia em formato cinematográfico que olha para o espectador e desafia sem agredir, provoca sem escancarar e faz da fuga de Tereza uma jornada pela vida e para a vida. Em um tempo em que tantos enxergam a velhice como limite, o filme nos lembra que ela pode ser, na verdade, o início de uma nova forma de liberdade.




