A nostalgia é o combustível necessário para revisitar diversas histórias, e com Mary Poppins não foi diferente. O clássico de 64, protagonizado por Julie Andrews na pele da babá mais mágica de todas, continua sendo um filme muito querido por integrar o drama familiar com a magia da infância aliado à técnica impecável de produção e animação, um grande marco na época de seu lançamento. Agora, mais de cinquenta anos depois, a essência se mantém a mesma neste retorno da protagonista. Continuação desse clássico, que nos levava à Londres do início do século XX, este longa permeia tudo o que uma produção Disney pode conter: personagens adoráveis, coloração explorada ao máximo, piadas familiares e uma boa lição de moral.

Agora, somos levados aos tempos de crise econômica dos anos 1920, quando as crianças Banks já estão crescidas e têm a responsabilidade de manter a casa de seus pais diante da possibilidade de vê-la tomada pelo banco. Jane Banks (Emily Mortimer) se tornou uma mulher tão forte quanto sua mãe, mantendo a graciosidade em seu sorriso, sempre presente. Michael Banks (Ben Wishaw), por sua vez, manteve a casa de seus pais o quanto pode, criando seus três filhos, Anabel (Pixie Davies), John (Nathanael Saleh) e Georgie (o novato Joel Dawson), batalhando em seu emprego regular no mesmo banco em que seu pai ganhou fortuna, e o qual quer tomar a casa. Além de contar com a ajuda, também, da espevitada Ellen (Julie Walters). Mas a notícia de que poderia perder o lar pouco tempo após tornar-se viúvo deixa Michael sem chão. É justamente este o momento em que a família mais precisa de ajuda. É agora, então, mais uma vez, que a fantástica Mary Poppins (Emily Blunt) entra em ação, alegando precisar estar com a família Banks até que “a porta se abra”.

Emily Blunt em "O retorno de Mary Poppins"
Emily Blunt em “O retorno de Mary Poppins”

Não há exatamente nova roupagem, nova abordagem ou nova proposta aqui. Nem mesmo a tecnologia atual usa seus artifícios, pois o método de narrativa se mantém igual ao clássico e não precisa necessariamente inserir elementos visuais feitos por computador. Portanto, se por um lado a permanência da essência tradicional de Mary Poppins foi mantida, do outro há certa fraqueza na escolha, pois ela não representa algo inédito que tem o poder de reacender a chama da personagem. Quem dita o ritmo do novo filme de Rob Marshall é, justamente, o espírito nostálgico. Além de contar com diversos números musicais, os quais se mostram gradativamente mais inventivos. As novas canções têm suas respectivas importâncias, mas aqui e ali é possível reconhecer as notas das músicas clássicas. Como um todo, a livre e (não tão) espontânea escolha de manter tudo nos trinques com o visual de uma Londres na época da Grande Depressão, é certo no que se estende a nos fazer voltar a sentir os alicerces da casa nº 17, assim como toda a aura emotiva em torno dela. Tudo parece se manter igual ao que era há décadas atrás com a família Banks, mas o que muda são as circunstâncias: Mary Poppins retorna para Jane e Michael com o pressuposto de cuidar de seus filhos, mas desde o início fica claro que os ensinamentos que pretende deixar são novamente para eles, que, mesmo crescidos, ainda precisam saber (ou lembrar) de certas coisas. Os três filhos do recém-viúvo Michael são independentes e comportados, e acabam sendo os guias desta nova aventura. Através de achados como a pipa consertada por Mr. Banks e da trama que envolve o banco, são resgatados fragmentos do clássico que tornam tudo mais fluido e saudoso.

Cena de "O retorno de Mary Poppins"
Cena de “O retorno de Mary Poppins”

É encantador e impressionante como o elenco principal se esforçou em manter a identidade de seus personagens. Emily Mortimer combina com a sempre sorridente Jane e faz o que pode com seu pouco tempo em cena. Por outro lado, Ben Wishaw se desenvolve plenamente em tela, cantando e emocionando quando necessário de maneira exemplar. Mas o destaque fica mesmo por conta de Lin-Manuel Miranda, queridinho dos musicais, o qual encarna com eficiência um personagem tão querido quanto o seu Jack. E Emily Blunt, a protagonista, se entrega as características que Julie Andrews imortalizou à personagem, repetindo-os sem parecer uma cópia, ganhando vida própria sobretudo por conta de seu carisma e voz. Mas os atores coadjuvantes merecem destaque pelo esforço geral, compondo aqui e ali o ápice do filme. As crianças merecem aplausos por conseguirem se destacar diante dos atores veteranos em questão, sobretudo Joel Dawson, que possui um magnetismo raro para a sua idade. Já Julie Walters se diverte em cena com o que sua personagem pode fazer, da mesma forma que Colin Firth entoa bem a ambiguidade de seu Sr. Wilkins e Meryl Streep tem uma das cenas mais divertidas, a que substitui a clássica sessão de risos do original. E, é claro, Dick Van Dyke merece aplausos de pé por sua participação especial. É provável que muita gente vá às lágrimas justamente por significar a nostalgia em seu estado máximo neste filme, por todo o seu peso nostálgico e pela construção das cenas que divertem pelas inventivas interpretações.

O retorno de Mary Poppins é uma homenagem ao clássico da Disney, um reflexo turvo do musical de Julie Andrews, ao invés de proporcionar uma releitura daquela obra. Pode até não ser perfeito, já que ocorre alguns erros na produção, mas é gostoso de relembrar as lições que a personagem traz consigo. Ele entrega a magia, a paixão e a inocência necessárias para que o público volte a se encantar, mas também se abriga no legado já pavimentado através das décadas.
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