O Frio da Morte: Como lidar com a morte e seguir em frente?

Uma mulher em luto resolve se aventurar em um lago remoto, no norte de Minnesota, nos Estados Unidos, para realizar o último desejo do marido falecido. Lá, ela se depara com um desafio que não esperava encontrar: um sequestro de uma jovem por um casal enigmático. E agora? O que fazer? Como ajudar já que tudo acontece em uma área remota, completamente tomada pelo gelo e sem sinal de celular? Esse é o dilema da nossa protagonista.
Protagonizado pela gigante Emma Thompson, O Frio da Morte se passa todo em volta de um lago fictício chamado Hilda. Entre situações do presente e flashbacks, nós conhecemos mais dos dilemas da personagem, e o que a motivou a se isolar em um lugar tão remoto.
Dilemas e desenvolvimento
Até onde você iria para ajudar uma desconhecida? Porque nossa protagonista iria até as últimas consequências para ajudar uma completa estranha no meio do nada.
O filme acontece com mais ou menos 1h40 de duração, o que não é o suficiente para conseguir desenvolver todos os dilemas que o filme nos apresenta. A motivação do casal de vilões só fica clara aos 45 do segundo tempo, até então você não entende muito bem o porquê do sequestro da jovem e o que eles querem com ela.
+ O Morro dos Ventos Uivantes: Polêmico e tenso?
Inclusive, sobre a vítima, se ela falou 5 frases durante o filme inteiro é muito. Sei que ela só serviu para o enredo principal, mas foi revelado um pano de fundo da personagem, que seria muito interessante ter explorado mais.
Agora, o casal: a esposa sabemos que está com uma doença terminal e desesperada para não morrer, e o marido a ama tanto, que embarca em toda sua loucura para conseguir fazê-la sobreviver. Porém, saímos do filme sem saber de fato qual a doença dela, qual o passado deles e como eles chegaram na ideia de sequestro.
Em resumo, O Frio da Morte tem muitas camadas, mas que não são bem desenvolvidas a ponto de conseguir nos fazer conectar com a história. O que é triste, pois nos leva ao seguinte ponto:

Personagens
Os atores escolhidos para dar vida aos personagens são extraordinários. Emma Thompson é o grande nome, não só pelo protagonismo, mas como a entrega dela para a história. Além de atriz, ela também assina como produtora executiva. Porém, a trama não faz jus a esse fenômeno que é ver a Emma atuando. Ela merecia uma história mais bem desenvolvida. Tudo acontece de maneira muito rápida, e acabamos não nos conectando com o enredo dela, mesmo sendo a única que vem com um passado explicado.
O casal de vilões é interpretado por Judy Greer e Marc Menchaca. Inclusive, muito bom ver a Judy nesse papel intenso, de grande destaque vilanesco, pois ela já fez inúmeros filmes sendo a melhor amiga da protagonista ou apenas uma figurante com fala. Voltando para a trama principal, os dois apresentam uma dinâmica bem interessante, onde ela é a dominadora e ele só aceita o que ela mandar. Porém, mais uma vez, gostaria de ver mais do passado dos dois até chegar na decisão extrema.
Tirando a jovem sequestrada e os atores que fazem a versão jovem da Barb com o marido, o filme é protagonizado por atores de longa dada em Hollywood, que estão ou já passaram dos 50 anos. É bom ver esse protagonismo em uma época que só se destaca a nova geração.

Nova perspectiva
Vou dar crédito a ideia do filme de representar a morte e a ideia do luto de formas diferentes. Primeiro, temos uma viúva tentando seguir em frente após a morte do marido, segundo, temos uma mulher doente, à beira da morte, desesperada a fazer qualquer coisa para ter mais uma chance de continuar vivendo, e terceiro, temos uma adolescente que desafiou a morte duas vezes e descobriu que quer sim seguir com a sua vida.
Sei que estou repetitiva, mas se os pontos acima fossem melhor desenvolvidos, poderíamos ter um possível indicado ao Oscar de 2027, ou apenas, mais um sucesso de bilheteria na carreira da Emma Thompson, porque o filme tinha muito potencial para ser maior do que foi.
Considerações finais
Em resumo, esse filme é o quase. O quase interessante, o quase emocionante e o quase que poderia ser algo maior do que foi. Eu fiquei muito feliz em achar que a Emma Thompson estaria em um filme de terror/suspense, mas no final, foi revelado que, na verdade, era um grande drama sobre luto.




