Marty Supreme: é realmente tudo o que falam?

Sendo um dos favoritos do Oscar 2026, Marty Supreme explora personagens à beira do colapso,tudo para conquistar suas ambições e objetivos. Aliás, o filme subverte expectativas ao usar o esporte apenas como ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre ambição, ilusão de sucesso e os perigos de sonhar grande demais. A obra se constrói como um retrato caótico de um protagonista que enxerga o mundo como um jogo de apostas constantes, onde ganhar nunca é suficiente e perder parece inevitável. Por isso, vamos falar sobre Marty Supreme:
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Ambição e o sonho americano:
Marty Supreme se apresenta como uma obra sobre os limites da ambição e o desejo quase obsessivo de sonhar grande. A trajetória de Marty Mauser não é apenas a de um prodígio do tênis de mesa, mas a de um personagem que transforma cada oportunidade em um risco calculado, sempre flertando com a autodestruição. O filme questiona até onde vale ir para alcançar o sucesso e quais são os custos (morais, emocionais e sociais) desse impulso de “querer mais”, mesmo quando tudo ao redor já aponta para o colapso.
Não é novidade que as obras dos irmãos Safdie sejam marcadas por um ritmo alucinante, sustentado por diálogos sobrepostos, montagem frenética e atuações intensas e caóticas. Agora, nessa obra não é diferente. A monotonia simplesmente não encontra espaço na experiência do longa, que conduz o espectador a situações impensáveis para um filme, em tese, sobre um jogador de tênis de mesa. Acompanhamos Mauser se envolvendo em apostas, golpes e esquemas de manipulação, tudo orquestrado por uma direção e uma edição vertiginosas, à altura da vida turbulenta e instável do protagonista.
Outro ponto central do filme é sua clara aversão ao chamado American Dream. A produção expõe essa crença como uma falácia conveniente, ao mostrar que a maioria dos personagens tenta “vencer na vida” por meios ilegais ou eticamente duvidosos, acreditando que o sucesso justifica qualquer método. As consequências, no entanto, são invariavelmente desastrosas. O sonho de ascensão social, em vez de libertador, surge como um motor de ansiedade, paranoia e violência, reforçando a ideia de que o sistema premia apenas quem está disposto a trapacear e cobra caro por isso.

Porém, não é perfeito:
Ainda assim, Marty Supreme é um filme que pode ser tanto uma experiência marcante quanto profundamente caótica, mesmo quando essa sensação parece fazer parte da proposta narrativa. O problema é que se prender e confiar demais nessa aposta nem sempre funciona. Talvez empolgado pela boa abertura, o longa em cartaz nos cinemas brasileiros acaba entrando em um loop cansativo de trambicagens do protagonista, que constantemente escapa por um triz apenas para aplicar o próximo golpe.
A revelação de que o jovem jogador genial e egocêntrico, à primeira vista, o molde clássico de uma cinebiografia esportiva, ainda que fictícia, é também um vigarista contumaz, com o tempo deixa de ser uma surpresa instigante e se transforma em uma armadilha que aprisiona a trama e dilui seu impacto.
Timothée Chalamet tem uma atuação marcante:
Mesmo com essas ressalvas, a atuação de Timothée Chalamet é realmente marcante e memorável. O ator entrega um personagem magnético, inquieto e profundamente falho, sustentando o filme mesmo nos momentos em que o roteiro parece girar em falso. Na verdade, seu desempenho confere humanidade e tensão a Marty Mauser, tornando impossível ignorar a força de um protagonista tão carismático quanto exasperante e consolidando Marty Supreme como uma obra imperfeita, mas provocadora.




