Literatura e jornalismo podem andar lado a lado?

Faltam poucos dias para um dos maiores eventos literários da cidade do Rio de Janeiro. Conversar com uma das mediadoras de quase todas as mesas internacionais e teens que ocorrerão no evento não é para muita gente não. Em pleno domingo de manhã, quase aquela música Domingo de Manhã da dupla sertaneja Marcos e Belutti, Frini Georgakopoulos atendeu a minha ligação via Skype para um bate papo.

Foi um bate papo curto, até porque era um domingo dia dos pais, mas ela muito educada aceitou o convite e contou tudo sobre as preparações para a Bienal, para qual mesa ela está mais ansiosa, se existe alguma das atividades que ocorrerão durante o evento que gostaria de participar, entre muitas outras coisas. Sempre sorrindo, Frini respondeu às perguntas de forma tão construtiva e que carregava uma reflexão, não só para os amantes de livros, mas para todo mundo que gosta de ler, de se informar, de conversar e principalmente aqueles que gostam de estar envolvidos no ambiente digital.

Para quem ainda não conhece Frine Georgakopoulos, ela é jornalista, criadora do Clube Livro Saraiva que acontece uma vez por mês no shopping Rio Sul, autora do livro “Sou fã, e agora?”, colunista da editora Galera Record e escritora da editora Seguinte, trabalha com comunicação empresarial, já foi redatora do Jornal O Povo e do O Globo. Fora o quilométrico currículo de dá inveja a qualquer um. E, contudo, fica a pergunta que não quer calar: O que a literatura pode agregar no jornalismo?

Com toda essa bagagem é difícil pensar em outra pessoa que não esteja tão envolvida nesses dois mundos para responder melhor essa pergunta a não ser ela. Então, feita a pergunta, a resposta veio como forma de “Pare e pense nos seus preconceitos”, afinal, todos nós criamos pré-julgamentos das coisas e quando se trata de literatura e jornalismo ficam mais nítidas as discriminações de quem é mais “culto” que o outro por ler determinada coisa. Por exemplo, se você lê jornal você é mais culto do que quem lê livro de ficção, mas se você lê jornal Y e não X isso te torna menos culto que o leitor x. Na literatura, se você ler clássicos de Machado de Assis, Euclides da Cunha, você é mais inteligente do que quem ler ficção. Mas se você lê quadrinhos (HQ) você acaba sendo visto como o “preguiçoso” que “finge” que lê.

Para Frini, o que acontece hoje nos dois mundos é o entendimento e a noção que “existe e é possível ter um pouco de tudo e unir forças todo mundo. O que falta é essa aproximação”. Ou seja, existe contexto, conteúdo e público diferente para tudo que é feito, e isso não os torna melhor ou pior que outro. Para coisas diferentes existem momentos diferentes, até mesmo na vida do autor. “Li 100 de solidão e amei, quando falo da história me vem em mente borboletas amarelas que me marcaram. E ao mesmo tempo hoje estou lendo Abbi Glines que são de dois mundos totalmente diferentes”.

Outro tópico que a entrevistada aponta é o fato de generalizar o Jornalismo Literário em apenas crítica, sabe, aquela coisa da “Crítica que gostou” ou a “Crítica de quem não gostou”. Mas uma vez aqui entramos na questão de contexto. E essa falta “afasta o leitor desse jornalismo por achar que tudo é crítica”, e para isso procuramos aqueles blogs que fazem críticas que batem com a nossa opinião. Então para que eu vou ler outra coisa se posso ler o que já sei que quero ler?

A reflexão está se perdendo e esse é o meu medo.

Para Frini, temos que despertar os nossos minis jornalistas que vivem dentro de nós e colocá-los para questionar e argumentar. É melhor isso do que “ficar anestesiado e virar vaca de presépio”. Então vamos ler, questionar, ler mais, acabar com os preconceitos. Que tal deixar isso de lado e querer saber de tudo um pouco?

 

Por: Bárbara Allen

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