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‘Dumplin’ não é apenas uma comédia, nem tampouco é apenas um filme adolescente. É mais que isso: é um grito sufocado de milhares de jovens que não são aceitas em uma sociedade esteticamente restrita a rígidos padrões, e que sofrem por isso. Baseado no livro de mesmo nome da escritora Julie Murphy, o romance foi publicado no Brasil pela editora Valentina, que o promoveu intensamente entre blogueiros literários e influencers, o que ajudou a criar uma base de fãs sensíveis à história. Com dois meses de atraso, finalmente o filme chegou à Netflix, já que estava previsto para estrear em dezembro de 2018.

Danielle Macdonald  interpreta a jovem Willowdean Opal Dickson, uma adolescente comum, gorda, com sonhos, anseios e desejos. Ela seria uma adolescente como qualquer outra, porém, com Rosie Dickson, interpretado por Jennifer Aniston, como mãe, justo ela, que foi 10 vezes vencedora de concursos de beleza, ex-Miss Teen Bluebonnet. Depois de perder sua Tia Lucy, que era seu referencial de vida, Will se sente perdida e, num ato de pura afronta, decide se inscrever no tal concurso Miss Teen Bluebonnet, ao que é acompanhada por sua melhor amiga, Ellen (Odeya Rush), e por outras duas meninas, Hannah (Bex Taylor-Klaus) e Millie (Maddie Baillio), que ajudam a compor o grupo de jovens que não pertencem aos padrões estéticos dos concursos de beleza da cidade de Clover, no Texas. Ao se inscreverem no concurso, elas fazem disso um protesto contra todas essas regras calcadas na aparência das pessoas.

É claro que, por ser um drama cômico, o filme não escapa de meia dúzia de clichês, mas nada que tire o glamour da sua história. Também nem pretende ser um filmão, mas sim uma ferramenta de comunicação das jovens gordas que não conseguem encontrar voz nem espaço na sociedade do culto à magreza. É um filme que as filhas devem assistir com os pais ou que as escolas deveriam passar nas salas, para ajudar os jovens a aceitarem seus corpos e abraçarem as diferenças.  Incluindo que é uma plataforma para a autoestima sufocada de adolescentes num “mundo que está cheio de pessoas tentando te dizer quem você é, mas (que) é você quem decide quem é”, como diz Elle para Will logo no início do longa.  Sem contar que é uma crítica aos concursos de beleza norte-americanos, que existem até os dias atuais.

Willowdean Opal Dickson (Danielle Macdonald ) e Rosie Dickson (Jennifer Aniston) em “Dumplin’ “

A trama é recheada de frases motivacionais e inspiradoras, que ajudam a causar uma sensação boa enquanto o assistimos. Um ponto de destaque é o figurino usado pela personagem Millie, todo fofo e com ares de pin-up. A direção de Anne Fletcher (‘Vestida Para Casar’) é pontual, conduzindo as cenas de forma a construir a problemática da jovem Will, porém, sem se aprofundar em desenvolver os personagens periféricos da trama – o que deixa um buraco no conjunto, mas não chega a abalar o filme. Jennifer Aniston faz novamente o papel que a levou ao estrelato – a da mulher que se preocupa com a beleza, que tem senso fashion e policia o que come. Os trejeitos da personagem Rachel, de Friends, estão todos lá: a parada reflexiva seguida de piscadas de olhos frenéticas; o balançar das mãos quando está exasperada; a ajeitada de franja quando se sente nervosa. Para os fãs, é como revisitar uma Rachel da meia idade.

A escolha de Danielle Macdonald  para o papel foi muito fortuita, pois a atriz consegue ter um ar de inocência que se mescla com maturidade. Para a construção de uma personagem em crescimento, que luta para ser aceita da forma como é, mas que tem medo dessa comunidade que aponta o dedo, a atriz passa a sensação de enfado e aborrecimento com as pequenas situações do dia a dia, sejam elas boas ou más, andando pesadamente e tendo explosões de raiva como qualquer adolescente, até o momento chave da trama, e isso a aproxima do público alvo.

Will (Danielle Macdonald) em “Dumplin'”

Além de um ponto muito interessante é a presença da Dolly Parton, indiretamente, na história, tanto na trilha quanto na paixão de Will pela cantora. Desde as músicas até frases marcantes, a artista inspira cada uma das personagens e cada música apresentada durante o longa demonstra que cada um pode chegar aos seus sonhos.

Dumplin não teima em ser um filme protagonizado por rebeldes que querem mudar o mundo. A vontade de organizar um verdadeiro motim ao evento da cidade aos poucos vai se transformando na chance de todas as personagens encontrarem seu lugar e terem a chance de brilhar – e, com isso, também há espaço para Rosie ganhar uma nova visão sobre si mesma e sobre sua filha. O concurso de beleza se torna um concurso de talentos, assim como o filme se torna uma história de autoconhecimento – e não sobre a busca do encaixe perfeito. A mudança pode até começar pequena, mas a obra com certeza traz uma ótima sensação de igualdade e respeito. E, para isso, ninguém precisa se perder de sua própria essência ou mudar seus moldes.

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