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A nova produção original da Netflix entra na leva de filmes e séries que buscam exaltar representatividade. Em um ano no qual Pantera Negra, Atlanta e Black-ish atraem público, e agradam a crítica, filmes como este prosseguem com o avanço de inserir histórias e perspectivas diferentes, visando atingir tipos variados de grupos e etnias na sociedade. É possível questionar a qualidade do que é lançado, mas é de grande valor o intento de buscar o espectador, seja este ou esta quem for, pois há mercado para todos se envolverem.

Baseado no livro Nappily Ever After, o filme conta a história de Violet Jones, mulher bem-sucedida nos negócios e também na vida amorosa. Até que, após se frustrar com o fato de seu namorado não a pedir em casamento, sente que precisa reavaliar seu estilo de vida e escolhas, e começa a descobrir uma nova identidade para si.

A obra é uma representação da busca pela perfeição. Ao contrário que filmes com esta proposta oferecem ao seu público, é possível ver que isso ocorre com diversas pessoas do nosso cotidiano, sejam ou em pequenas escalas ou grandes. Quantas pessoas perdem tempo buscando o corpo ideal, o cabelo da moda ou a vida perfeita?!

Fui tão surpreendida positivamente que terminei de assistir ao filme já saí indicando para todo mundo! Isso porque a produção é quase de “utilidade pública” para que todos entendam como a ditadura da beleza e da perfeição é cruel com as mulheres, ainda mais quando os traços não seguem o padrão do que é considerado belo. Quando – como é o caso aqui – existe toda uma cobrança e sofrimento só pelo fato do cabelo não ser igual ao da maioria das atrizes de TV e modelos de comerciais; ainda mais se a pressão vem desde muito cedo, no período em que ainda estamos moldando nossa personalidade.

Mérito da diretora Haifaa al-Mansour, primeira mulher cineasta da Arábia Saudita, de escalar a carismática e estonteante Sanaa Lathan como sua protagonista, que fica bem com qualquer tipo de cabelo, principalmente sem. Dizem que certos acontecimentos dessa fase da vida geram traumas e marcam para sempre; então, não é difícil entender a obsessão da protagonista por seus cabelos quando, já adulta, ela acorda mais cedo que o namorado para refazer a escova e se esquiva de certos contatos durante o sexo para que ele não tire nenhum fio do lugar.  Essas cenas podem parecer muito distantes para quem não vive essa realidade, mas quem passou por essa fase de complexos com o cabelo – como foi meu caso durante mais de 20 anos da minha vida – vai se identificar com cada um desses momentos muito bem escolhidos para o filme; por mais que, em algumas partes do início, eles até beirem o caricato.

O longa tem um roteiro que termina melhor do que começa. Geralmente, em comédias românticas, principalmente americanas, testemunhamos os mesmos velhos clichês e situações do cinema de gênero. Nesta produção não será diferente. A primeira parte do filme é onde estes módulos proliferam, vide qualquer uma das cenas existentes até o momento que Violet, bêbada, resolve raspar a cabeça. Aqui, um belo exemplo das carências desta comédia romântica, que provavelmente conseguirá fazer sorrir, mas não rir, que são coisas diferentes. Lamentavelmente, não existe graça, no sentido de humor de qualidade no texto, consequentemente perde-se combustível para dois elementos essenciais no gênero: a imprevisibilidade do riso e o contraste catalisador para o drama, que é sério, pois afeta a vida social e saúde mental de milhões de mulheres pelo mundo.

Só no terceiro ato de há alguma recompensa na história. O que era óbvio, continuará, mas a narrativa consegue promover algum desvio, dando um pouco mais de corpo, além de mais profundo tratamento, pensando na protagonista. A cena onde Violet faz um pitching para seu chefe para uma marca de cerveja, ao lado de dois atores que interpretam horripilantemente dois completos, mas realistas, idiotas, é uma realidade interpretada para o filme. Existe um momento que pode ser até de fácil identificação que acontece em um enfrentamento entre a protagonista e sua mãe, interpretada por Lynn Whitfield. É no clímax que a atriz Sanaa Lathan consegue realmente comover, se acertando com o trauma do passado, mergulhando livre para assumir uma vida mais leve para si mesma.

Assim, como o personagem de seu pai, interpretado por Ernie Hudson, o Winston de Os Caça-Fantasmas, que se reinventou na meia-idade como um modelo fotográfico de roupas íntimas, Violet percebe uma oportunidade para recomeçar, seja na vida amorosa, mas especialmente em sua carreira.
Felicidade Por Um Fio pode até ser uma velha lição que tantos filmes repetem sobre aceitação e a valorização da beleza interior, porém, o diferencial aqui, está no fato de termos um foco na vida da mulher negra, oferecendo a estas uma oportunidade para identificação, isto posto, uma maior disseminação do bem-estar da mulher negra, no campo pessoal e social.

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