Bom Menino: O cachorro é a única parte boa!

Lançado com a promessa de ser uma novidade narrativa, Bom Menino não acrescenta em nada, só posso falar que o cachorro é a única parte boa. Dirigido por Ben Leonberg, o longa não dá medo e desperdiça todos os elementos presentes. Por isso, vamos falar sobre Bom Menino:
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Qual é a história de Bom Menino?
O filme acompanha a mudança de Todd e seu cãozinho fiel Indy para a casa de campo da família após a morte de um parente. O novo lugar, que antes pertencia ao avô de Todd, é conhecido por ser assombrado por um demônio maléfico. Apesar dos avisos, Todd ignora os rumores, abrindo caminho para que seu cachorro passe a enxergar presenças fantasmagóricas e sobrenaturais pelos cantos aparentemente vazios da mansão. Quando seu dono passa a sucumbir às forças sombrias que rondam a casa, seu melhor amigo e fiel escudeiro Indy precisará confrontar essas atividades malignas numa tentativa desesperada de proteger seu companheiro humano.
A perspectiva de Indy:
A proposta de contar uma história de terror pela perspectiva de um cachorro, o fiel Indy, é sem dúvida interessante e cria uma expectativa de novidade. Contudo, essa originalidade inicial esbarra em certa limitação de profundidade. Afinal, o filme se apoia quase exclusivamente no artifício narrativo (ver o mundo pelos olhos do cão) em vez de desenvolver plenamente as camadas do enredo, personagens humanos ou o significado simbólico dessa escolha. Em vez de explorar esse ponto de vista único com real vigor, acaba operando mais como encerramento de espetáculo visual, o que empobrece o potencial que a ideia poderia ter.
Sim, o Indy funciona, tanto que foi a melhor característica do longa. O espectador se importa com o cachorro, sente sua angústia, seu instinto de proteção. Mas esse vínculo acaba sendo o pilar emocional exclusivo do filme e esquece de tudo o que cerca a narrativa. Na verdade, ele se posiciona mais como “experiência curiosa” do que como obra que realmente transforma ou provoca.
E os humanos? E o terror?
Eu vou te responder o seguinte: esquece o resto da história.Enquanto Indy ganha destaque emocional, os humanos à sua volta ficam longe de serem atendidosO proprietário Todd (interpretado por Shane Jensen) e demais personagens são esboçados, mas carecem de motivações mais densas ou arcos mais substanciosos.
A mudança para a casa de campo, a história do falecimento do avô e o envolvimento com forças sobrenaturais ficam em segundo plano frente à “missão canina”. Isso reduz o impacto dramático e se ignorarmos o cão, vemos um enredo genérico de “casa mal‐assombrada” sem grande originalidade. A cinematografia sombria, o foco em sons e sombras e a mise en scène que favorece o fora de campo poderiam dar certos, caso fossem bem planejados. Tanto que eu não senti medo em nenhuma cena. Para um gênero saturado como o de casas assombradas, repetir fórmulas conhecidas, mesmo sob um ponto de vista diferente, torna o filme menos memorável.
Não vale a pena assisir Bom Menino (só se for pelo cachorro):
Em resumo, Bom Menino acerta no conceito, mas falha em sustentar essa promessa até o fim de forma plena. Se fosse um exercício mais contido, poderia ser visto como simpático, mesmo que limitado. No entanto, como pretende ir além, o filme me parece uma oportunidade parcialmente perdida. Quem busca um terror mais tradicional ou mais intenso vai achar que o filme é “bonzinho”, talvez “acima da média”, mas dificilmente memorável.




