A série All Her Fault é boa mesmo?

Se você é uma pessoa ativa nas redes sociais, com toda certeza já ouviu alguém comentar sobre a série All Her Fault. E, sinceramente, se você já esbarrou nesse nome por aí, não perca tempo: vá assistir. Mas assista prestando atenção nos detalhes! À primeira vista, a série pode parecer apenas mais uma história sobre sequestro, investigação policial e drama familiar, mas ela vai além disso. A cada episódio, a narrativa se aprofunda em temas extremamente relevantes do nosso cotidiano, especialmente para as mulheres. Então, se a curiosidade bateu, vem comigo que eu te conto o que achei e se vale assistir!
Conheça a série do momento
All Her Fault é uma série do Prime Video que acompanha o desaparecimento de Milo, que desencadeia uma série de tensões, suspeitas e conflitos entre famílias próximas. A trama parte de um sequestro aparentemente simples, mas, conforme os episódios avançam, revela camadas emocionais, sociais e psicológicas muito mais profundas, explorando relações familiares, culpas, julgamentos e segredos que estavam apenas esperando um estopim para vir à tona.
All Her Fault é aquele tipo de série que cresce ao longo dos episódios. Os dois primeiros servem para apresentar os personagens e preparar o terreno do que será desenvolvido. O primeiro episódio choca pelo sequestro da criança, o final dele já cria um gancho muito forte, e a partir daí a série vai te conquistando aos poucos. Cada episódio aborda um tema diferente, mas nada é jogado de forma aleatória: tudo vai se encaixando e agregando à história principal. Por isso, é uma série que exige atenção.
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Sem dúvidas, um dos grandes destaques está na atuação das duas protagonistas. Sarah Snook e Dakota Fanning são excelentes e têm uma sintonia impressionante. Enquanto uma se sente culpada por ter contratado a empregada envolvida no sequestro, a outra se culpa por não ter sido a “mãe perfeita”. Em contraste, os maridos seguem com a consciência praticamente limpa, mesmo sendo, muitas vezes, os grandes responsáveis pelas tensões da história.
Falnaod nisso, achei muito interessante como, ao longo da trama, os homens tentam constantemente rivalizar as mulheres entre si, colocando a culpa sempre na outra. Até mesmo a babá entra nesse jogo de rivalidade. Ainda assim, o que surpreende é que, no fim, principalmente as duas mães, encontram apoio uma na outra.

Preste atenção aos detalhes!
Quando digo que essa é uma série para prestar atenção nos detalhes, é porque o final não é exatamente uma grande surpresa jogada de última hora. Se você observa bem, consegue captar pistas muito antes. É uma série que incomoda, provoca reflexão e conversa diretamente com a atualidade. Ela aborda temas como família, obsessão, impulsividade e até onde alguém é capaz de ir para conseguir o que quer ou proteger quem ama. A fotografia também contribui muito para isso: simples, concentrada em poucos ambientes, especialmente na casa da mãe que perdeu a criança, que carrega uma atmosfera pesada, quase sufocante.
Curiosamente, a grande reviravolta não está exatamente em descobrir quem sequestrou a criança, já que essa informação começa a ficar clara desde cedo. O verdadeiro impacto está nos desfechos emocionais. O último minuto da série é o mais poderoso, o alívio da mãe ao respirar sabendo que aquela criança está salva em todos os sentidos. E o fato de que, depois de tanto tempo sendo oprimida e silenciada, ela encontra uma amizade verdadeira, alguém que genuinamente se importa com ela. Esse encerramento foi o que, para mim, elevou a série a um nível altíssimo.

Meu único problema com All Her Fault é que alguns momentos poderiam ter sido melhor aproveitados. Em certos pontos, a série dedica tempo a personagens e situações que, apesar de fazerem sentido para a construção geral, poderiam ter sido substituídos por um aprofundamento maior na perspectiva da sequestradora. Senti falta de acompanhar mais esse outro lado, em vez de algumas subtramas envolvendo personagens secundários. Ainda assim, isso não compromete o conjunto.
Vale assistir All Her Fault?
All Her Fault é uma série viciante, daquelas que te fazem querer mais histórias desse mesmo estilo depois que acabam. Ao mesmo tempo, não é uma produção que deixa vontade de continuar acompanhando aquela família específica, porque tudo o que você deseja é que eles finalmente tenham paz. É uma série que todo mundo deveria assistir, principalmente homens. É impactante, necessária e extremamente bem construída.




