A longa Marcha: Caminhe ou Morra- Quando o desespero se torna controle

Baseado no livro de Stephen King, A longa Marcha: Caminhe ou Morra é um retrato sobre regimes militares e como o desespero é usado como uma arma. Além disso, essa distopia usa um objetivo principal como forma de controle e ordem. Tudo isso em meio a um grupo de jovens que luta sobrevivência andando. Por isso, vamos falar mais de A longa Marcha: Caminhe ou Morra:
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Antes de king, o livro era de Richard Bachman:
Assinado sob o pseudônimo de Richard Bachman (Stephen King), a trama nos leva para um futuro distópico em que os Estados Unidos, tendo enfrentado uma batalha de proporções catastróficas que ficou conhecidas como A Grande Guerra, se reestabelece pouco a pouco e utiliza artifícios bastante controversos para resgatar o senso se patriotismo e união. Esse artifício é conhecido como A Longa Marcha, uma visceral competição que convida todos os jovens garotos do país a participar de uma caminhada sem fim, onde devem marchar ao passo de aproximados 5 km/h. O último a sobreviver é condecorado com um prêmio inestimável que os permite ter basicamente o que desejarem.
Nesse terrível e assombroso espectro, conhecemos um dos nossos protagonistas Ray Garrity (Cooper Hoffman), junto com Peter McVries (David Jonsson),Billy Stebbins (Garrett Wareing), Gary Barkovitch (Charlie Plummer), Arthur Baker (Tut Nyuot) e (Ben Wang). Forjando laços de amizade, confiança e certas desavenças que são firmados logo de cara, os participantes iniciam uma árdua jornada que os leva a enfrentar não apenas o impiedoso e opressor ambiente inóspito que os cerca, como fantasmas que insistem em persegui-los e colocar em xeque qual é o propósito da vida.
Dirigido por um velho conhecido das distopias:
O projeto é comandado por Francis Lawrence, que não é nenhum estranho ao mundo das distopias, já que dirigiu Jogos Vorazes: Em Chamas. Mas, nessa obra, o diretor traz uma jornada angustiante e ironicamente claustrofóbica, utilizando sutis incursões similares para denotar o embate entre o poder vigente e aqueles que anseiam pela mudança. Para isso, usa o direcionamento da câmera para mostrar os limites dos participantes e o jogo em si. Além disso, Lawrence acerta na construção de uma atmosfera inescapável, melancólica e sombria, mesmo com o uso de cores quentes e de planos abertos e superssaturados.
O roteiro assinado por JT Mollner acerta onde precisa e se vale da química do elenco para ofuscar algumas metáforas formulaicas. Afinal, os melhores dialogos se encontram nesses jovens, que no início estão determinados a conquistar o prêmio. Porém, quando a realidade aparece, sua jornada parece um caminho sem fim, no qual o arrependimento, a exaustão e as dores dominam por completo. Sem contar que promove um convite a refletir sobre regimes totalitários, a inevitabilidade da morte e o homem como objeto de condicionamento determinista. Ou seja, forçado a voltar à barbárie em meio a um ambiente severamente adverso.

O elenco entrega o desespero e as reflexões:
Se tem algo que eu preciso comentar é o elenco de A longa Marcha: Caminhe ou Morra, no qual cada um transmite o desespero e a culpa. Ray tem um arco mais vingativo e complexo, o que o afasta do emblemático herói de tantas outras distopias. Mas, nos apegamos por sua história e determinação. Agora, Pete é um inesperado coprotagonista, com um ar de esperança e otimismo. Até Mark Hamill está brilhante como Major, colocando ordem e “encorajando” os jovens que o que estão fazendo é algo bom.
De fato, cada membro do elenco tem seu momento de brilhar e, diferente do que podíamos imaginar, os múltiplos arcos convergem para um ponto em comum que faz sentido dentro do que esperamos e sem se deixar levar pelos exageros e pelas ambições desmedidas.
Você precisa dar uma chance a A longa Marcha: Caminhe ou Morra!
A longa Marcha: Caminhe ou Morra chega aos cinemas brasileiros no próximo dia 18 de setembro e merece ser assistido. Em meio a uma época de tensões políticas internacionais, esse filme chega com a ousadia de quando o medo e a “determinação” são usadas como armas de controle. Afinal, o jogo não é de livre e espontânea vontade. E sim, um mecanismo no qual esses jovens percebem na caminhadas de suas vidas. É claro que tudo isso contando com as habilidosas mãos do time criativo e do comprometimento aplaudível de um incrível elenco.




