Verity é uma adaptação que decepciona e muito!

Adaptar Verity, de Colleen Hoover, era uma oportunidade de transformar um dos thrillers mais comentados da autora em um suspense capaz de prender o público do início ao fim. Porém, o longa fica longe de alcançar esse potencial. Embora respeite boa parte da estrutura narrativa do livro e reproduza momentos importantes da história, a produção entrega uma experiência morna, que deixa de lado justamente os elementos que tornaram a obra tão instigante: o mistério, a tensão e a dúvida constante sobre o que é verdade.
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Qual é a história?
Adaptado do romance best-seller de Colleen Hoover, este thriller psicológico sedutor acompanha a renomada autora Verity Crawford (Anne Hathaway) e Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma escritora em dificuldades que se muda para a isolada propriedade dos Crawford para escrever como ghostwriter para Verity. Ao descobrir o que parecem ser anotações autobiográficas perturbadoras de Verity, Lowen se vê envolvida em confissões sombrias e distorcidas sobre o marido dela, Jeremy (Josh Hartne— lutando para distinguir ficção de realidade, manipulação de atração e oportunidade de obsessão.
A narrativa está lá, mas não tem execução:
Adaptar uma obra tão conhecida quanto Verity, de Colleen Hoover, nunca seria uma tarefa simples. O livro conquistou leitores justamente por construir uma narrativa repleta de mistério, tensão e dúvidas sobre o que realmente aconteceu com seus personagens. O problema é que, embora o filme de 2026 consiga transportar para as telas diversos momentos importantes da história, ele não consegue reproduzir a atmosfera que tornou a obra tão envolvente.
Narrativamente, Verity está presente. A adaptação resgata cenas, momentos-chave e elementos essenciais que marcaram o livro de Colleen Hoover. Porém, ter os acontecimentos no roteiro não significa necessariamente conseguir reproduzir a experiência da obra original. E é justamente aí que o longa tropeça. O resultado é morno e, principalmente para quem conhece o livro, decepcionante.
Um thriller no qual o suspense é inexistente:
O suspense e o mistério deveriam ser os grandes motores da produção, mas acabam sendo praticamente jogados fora. Não existe um verdadeiro clima de tensão e, consequentemente, poucas situações despertam aquela necessidade de descobrir o que está acontecendo. Os momentos que realmente conseguem gerar curiosidade são justamente aqueles em que Verity, interpretada por Anne Hathaway, narra sua suposta autobiografia. É nesses trechos que o filme finalmente encontra um pouco da atmosfera perturbadora que deveria estar presente durante toda a narrativa.
Outro problema está na montagem. O filme aposta em uma construção bastante morna e utiliza textos e palavras como parte da composição visual em determinados momentos, mas o recurso não consegue acrescentar a força necessária à narrativa. Em vez de contribuir para a atmosfera de suspense, a montagem acaba deixando a experiência ainda mais distante e pouco envolvente.
Anne Hathaway é a melhor parte do filme:

E Anne Hathaway é, sem dúvida, o grande ponto alto da produção. A atriz entende a complexidade de Verity e consegue transmitir em tela diferentes camadas da personagem, fazendo com que suas cenas sejam algumas das mais interessantes do filme. Josh Hartnett também entrega um bom trabalho como Jeremy, construindo um personagem coerente dentro da proposta, ainda que sua atuação não chegue a ser extraordinária.
Já Dakota Johnson é um dos principais motivos para o filme decepcionar. Sua Lowen não convence e a interpretação acaba deixando a protagonista com uma expressão excessivamente blasé, que dificulta a conexão com o que está acontecendo ao seu redor. Para uma personagem que deveria carregar boa parte da tensão e da instabilidade emocional da história, falta intensidade.
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Vale a pena assistir Verity?!
No fim, Verity é uma adaptação que consegue colocar no cinema a estrutura básica da história, mas não entende completamente o que fazia aquela narrativa funcionar. Os acontecimentos estão ali, os personagens estão ali e os momentos importantes também, mas falta justamente aquilo que deveria conectar todas essas peças: emoção, tensão e mistério.
É triste ver uma obra com tanto potencial sendo tão pouco aproveitada. Verity tinha todos os ingredientes para entregar um thriller psicológico instigante, mas acaba sendo uma experiência morna, que dificilmente provoca no espectador a mesma inquietação que o livro conseguiu despertar em seus leitores.





