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“No Brasil, a definição de justiça no dicionário não contém as palavras equilíbrio e imparcialidade”, diz a narração de “O Mecanismo”, em importante momento da trama.

A nova série brasileira da Netflix retrata uma realidade tão comentada no cotidiano que sem dúvidas seria um sucesso imediato. Não que seja o objetivo da série buscar justiça, mas é certo que poderia ter um pouco mais de equilíbrio na produção. Agora, há de se reconhecer o esforço dos criadores José Padilha e Elena Soarez, e o time de roteiristas, de tentarem vender a ideia de que o tal mecanismo engloba, da esquerda e da direita, do Presidente da República ao funcionário da companhia de água, passando pelo jovem da classe média e alta que falsifica carteira de estudante e dá uma “cervejinha” para o policial. Por alguns momentos, a série consegue convencer essa imagem. Em outros, fica clara uma postura tendenciosa por parte da mesma, como quando vemos o personagem do ex-presidente (inspirado em Lula) usando frases como “estancar a sangria” e “construir um grande acordo nacional”.

Padilha é um diretor muito talentoso e com grande domínio da narrativa, no qual usa a experiência de Tropa de Elite e Narcos para criar um jogo investigativo, realmente instigante à princípio, no qual os espectadores se envolvem com os protagonistas, os detetives Marco Ruffo (Selton Mello) e Verena (Caroline Abras), que ouso dar uma salva de palmas pelas boas atuações, tanto narradores quanto protagonistas. Mello surge bastante afetado no primeiro episódio, mas melhora a seguir. Já Abras mantém uma boa performance por todos os capítulos, embora a trama romântica de sua personagem quase nunca funcione. A presença de uma mulher forte em um ambiente tradicionalmente masculino é fascinante. O lado da investigação policial funciona, principalmente por mostrar os conflitos internos com o Ministério Público e por não tentar transformar os personagens em super-heróis.

Resultado de imagem para o mecanismo

Mas se por um lado a série acerta ao criar policiais complexos e interessantes, escorrega na figura idealizada do juiz Rigo (obviamente Sérgio Moro). Aqui, não há de se fazer uma análise da pessoa real do juiz, mas o visto na ficção é absolutamente superficial. A série até retrata a vaidade de Rigo, mas o coloca em uma posição bem acima do bem e do mal. Tudo é muito idealizado. É o sujeito que anda de bicicleta, monta a cortina do chuveiro e demonstra felicidade ao dar autógrafo na rua. Os realizadores chegaram ao ponto de colocá-lo lendo uma HQ chamada “Vigilante Sombrio”, numa demonstração clara da falta de sutileza do roteiro.

Dentre os vilões, o destaque vai para Enrique Diaz no papel do doleiro Roberto Ibrahim (Alberto Youssef na vida real). O veterano ator transborda carisma, chegando ao ponto de conquistar o espectador.

Em resumo, “O Mecanismo” é uma série muito interessante, com boas atuações, com um roteiro que tenta convencer bastante com uma ideia fixa, porém ao longo do caminho ela se perde um pouco. Mas também é uma boa reflexão sobre quem quer entender um pouco mais sobre a Operação Lava-jato.

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