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Vendo os MVs de K-Pop, apresentações, programas de variedades ou até mesmo o estilo das roupas dos idols, pode-se pensar que na Coreia do Sul tudo é festa (principalmente se comparando com seu vizinho, Coreia do Norte), e que deve ser incrível viver nesse mundo de dança, canto, de homens bonitos e de mulheres elegantes. Não pode estar mais enganado.

A Coreia do Sul vive sob um conservadorismo que vem de anos. É influenciada por uma religião que surgiu desde o antigo período dos Três Reinos da Coreia (57 AC – 668 DC), de influência Chinesa, o Confucionismo. Além de ser visto como uma religião, o Confucionismo determina uma filosofia, ética social, ideologia política e um modo de vida de uma sociedade, sendo permeado até os dias de hoje como o ato de respeitar os mais velhos e a importância dos estudos, além de alguns conceitos que desprezam a homossexualidade, pois acreditam que confunde a ideia de família, e traz a ideia da mulher como inferior ao homem.

Até aí, nada novo sob o sol. Porém, em outras sociedades, isso já é coisa do passado. Pois bem, parece que o passado ainda não deixou a Coreia. Muita coisa mudou, não dá para negar, e continua o processo da mudança, e a onda Hallyu está ajudando a mudar esse cenário. Porém, nas entrelinhas, ainda existe muito conservadorismo em uma sociedade que é tão rica culturalmente.

Por esse pensamento ainda estar enraizado na sociedade, é muito difícil você ver algum idol assumindo ser homossexual. Isso é um tabu enorme. Em 2008, um modelo sul coreano cometeu suicídio depois da enorme pressão popular que sofreu, além da resposta negativa por se assumir homossexual de forma pública.

É contraditório pensar que os fãs ficam felizes em imaginar, apenas imaginar, dois idols, seja masculino ou feminino, formando um casal (o fanservice mais forte entre os idols é o skinship). Tudo é lindo e desejado, um beijo seria como um presente para os fãs, mas claro, desde que os artistas não sejam de fato, homossexuais. Aí não pode.

Além disso… sexo? O que é isso? Eles não conversam sobre, nem com os amigos e nem com a própria família. Eles levam a sexualidade (e talvez a perda dela) muito à sério.

E as mulheres então? Ainda lutam para conseguirem seu espaço, tanto no dia a dia, quanto na indústria do entretenimento. O machismo é perceptível dentro do K-Pop: Nos MVs masculinos, elas são sempre rebaixadas, quanto não, são hipersexualizadas. Até nos próprios MVs dos grupos femininos, ou são músicas consideradas fofas ou de conteúdo sexual, sendo essa muitas vezes, censurada na TV aberta.

E as drogas? Onde se encaixa nessa sociedade? Simplesmente não se encaixa. As leis anti-droga são bem severas. O uso ou a venda de qualquer tipo de droga são considerados graves, podendo resultar em prisão. Um cantor foi dispensado do serviço militar e levado à justiça por ser pego usando drogas.

Qualquer deslize que o artista tenha, seja por orientação sexual, sexualidade, uso de drogas, ou até mesmo escândalos dos mais variados, incluindo os de namoro, os fãs e a população sul coreana em si estará pronta para apontar o dedo e julgar.

Então, apesar de tudo isso, como o K-Pop, um estilo tão irreverente, tão inovador para uma cultura que ainda vive presa à estereótipos antigos, pode sobreviver e crescer de forma tão rápida perante à essa sociedade? Talvez ela seja uma forma de mascarar esse conservadorismo que assombra a Coreia do Sul, de certa forma, sendo um grito de liberdade, um processo para que as barreiras comecem a ser quebradas, transformando àquela sociedade em algo muito mais do que está acostumado.

 

 

Rachel Guarino é jornalista.

 

 

 

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